Equador vai começar a extrair petróleo na Amazônia em 2013

A estatal equatoriana Petroamazonas disse na quarta-feira que começará a extrair petróleo em 2013 numa região próxima a uma reserva ecológica que o governo local promete manter intacta caso obtenha bilhões de dólares em doações estrangeiras.

ENRIQUE ANDRES PRETEL, REUTERS

11 de janeiro de 2012 | 22h35

O Equador espera receber 3,6 bilhões de dólares até 2024 como compensação por deixar de explorar o campo petrolífero conhecido como ITT, que fica abaixo da reserva ambiental de Yasuni, uma das áreas de maior biodiversidade no planeta.

A decisão de explorar o Bloco 31, que fica perto da reserva, deve gerar ceticismo entre os doadores, que até agora ofereceram apenas 117 milhões de dólares, refletindo os temores de que o Equador acabe explorando o petróleo mesmo se receber o dinheiro.

Oswaldo Madrid, gerente-geral da Petroamazonas, descartou que a exploração do Bloco 31 possa afetar a proposta relativa ao ITT. "O Bloco 31 é um projeto que está em andamento há muitos anos", afirmou.

O bloco fica na floresta de Yasuni, mas a cerca de cem quilômetros da área proposta para a preservação. A produção ali pode começar no segundo semestre de 2013 com 18 mil barris de petróleo por dia, chegando a 25 mil em 2014.

A Petroamazonas espera investir 560 milhões de dólares no projeto, sendo metade com financiamento de bancos locais ou em parceria com empresas estrangeiras. As reservas do Bloco 31 são estimadas em 45 milhões de barris.

Inicialmente, o direito de exploração da área foi arrematado pela Petrobras, que no entanto a devolveu ao Estado em 2008 devido a disputas com ambientalistas e grupos indígenas.

Esse deve ser o segundo projeto a produzir petróleo na selva de Yasuni, onde a espanhola Repsol-YPF já opera o Bloco 16, com uma produção de 45 mil barris diários.

O Equador promete manter seus esforços para evitar a extração de 1 bilhão de barris de petróleo pesado do campo ITT, que contém mais de 10 por cento das reservas comprovadas do país, membro da Opep.

Mas o presidente Rafael Correa já alertou que, se o Equador não alcançar sua meta de doações, irá desenvolver o campo ITT - o que pode levar à emissão de 400 milhões de toneladas de dióxido de carbono, e a danos no delicado ecossistema local.

Tudo o que sabemos sobre:
EQUADORPETROLEOAMAZONIA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.