Equatorianos apóiam nova Constituição, diz boca-de-urna

Pesquisas previram vitória do 'sim' à aprovação do projeto; nova Carta amplia os poderes de Rafael Correa

Roberto Lameirinhas, enviado especial, com Reuters e Efe,

28 de setembro de 2008 | 17h20

Numa arrasadora vitória do presidente equatoriano, Rafael Correa, o projeto de Constituição apoiado por ele foi aprovado por 70% dos eleitores no referendo deste domingo, 28, segundo indicou pesquisa de boca-de-urna do instituto Cedatos, o principal do país. De acordo com a mesma fonte, o "não" obteve 25%; 4% anularam o voto e 1% votou em branco. A nova Carta, que amplia significativamente os poderes de Executivo, entrará em vigor logo depois da proclamação formal do resultado do referendo e sua publicação no diário oficial, o que deve ocorrer ainda esta semana.   Veja também: Presidente equatoriano pede unidade após vitória do 'sim' Especialista explica situação do país Áudio da entrevista com o professor Ayerbe Correa diz que Odebrecht aceitou acordo; empresa nega   Os colégios eleitorais no Equador fecharam às 17 horas (19 horas de Brasília). Mais de 9,7 milhões de equatorianos estavam convocados a se pronunciar sobre o projeto. Além da pesquisa do instituto Cedatos, a Teleamazonas apresentou mais de 66% dos votos ao "sim" e 25% ao "não".   Já a pesquisa feita pela firma Santiago Perez apontou que 67,6% dos equatorianos que votaram até as 12 horas (horário do Equador) apoiaram a nova Carta Magna, ratificando assim a sondagem pré-eleitoral que prognosticou uma vitória do líder Correa. Segundo a pesquisa, 23,8% rejeitaram o texto, enquanto 8,6% dos eleitores votaram nulo ou branco.    Ao final da votação, Correa, que votou em Quito e foi a Guayaquil (sudoeste) para receber em sua cidade natal os resultados do referendo, assegurou que obteve um "novo triunfo histórico". "Uma nova vitória graças a Deus e ao povo equatoriano", disse o presidente.   A jornada eleitoral, que começou às 7h (9h de Brasília), ocorreu com normalidade, sem violência ou incidentes maiores em todo o país, assim como no exterior, segundo versões diplomáticas. Os equatorianos deveriam responder a uma pergunta: "O senhor aprova o texto da nova Constituição política da República elaborado pela Assembléia Constituinte?". Dos convocados para votar neste domingo, 165 mil estão recenseados no exterior, a maioria deles na Espanha e nos Estados Unidos.   Uma das maiores novidades no referendo teve a ver com denúncias dos cidadãos sobre o recebimento de ligações telefônicas anônimas de uma central telefônica no exterior convidando as pessoas a votar no "não", apesar de a campanha eleitoral ter terminado na quinta-feira passada.   Após repudiar essas ações, o presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), Jorge Acosta, anunciou investigações, com a esperança de que autoridades no exterior colaborem com a tarefa. O TSE espera apresentar neste domingo mesmo a apuração de cerca de 50% dos votos do referendo.   Venezuela   Os equatorianos habilitados para votar na Venezuela se pronunciaram majoritariamente a favor do "sim" à proposta de nova Constituição, disse à imprensa René Vargas, embaixador do Equador em Caracas.   Vargas disse que as pesquisas de boca-de-urna indicaram que 69% dos eleitores optaram pelo "sim", 23% pelo "não" e os outros foram nulos. O embaixador se mostrou satisfeito com a ida às urnas, já que, de cerca de 5 mil equatorianos recenseados n Venezuela, "foram votar pouco mais de 4 mil".   Nova Constituição   A nova Constituição do país irá aumentar significativamente os poderes do presidente de esquerda Rafael Correa e permitirá que ele concorra a mais dois termos consecutivos. Correa disse que a aprovação da 20ª Constituição da Nação Andina irá permitir "uma rápida e profunda mudança" no país, beneficiando os que trabalham duro e ajudando a erradicar a classe política que fez do Equador um dos países mais corruptos da América Latina.   Matéria alterada às 19h49

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