Equipes humanitárias vivem precariedade em missão no Haiti

'Todas as estruturas de saúde estão comprometidas', diz ONG; cirurgias são feitas em tendas improvisadas

Gabriel Pinheiro, estadao.com.br

14 de janeiro de 2010 | 17h33

Sem ter para onde ir, milhares de haitianos passam os dias nas ruas. Foto: Gerald Herbert/AP  

 

SÃO PAULO - Dois dias após o terremoto que castigou milhões de haitianos, equipes de resgate de agências humanitárias enfrentam agora uma corrida contra o tempo na assistência das vítimas. Em meio a um cenário de guerra, médicos e voluntários alertam para a precariedade da situação humanitária que castiga o país mais pobre das Américas.

 

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"Todas as estruturas de saúde estão comprometidas", disse Juliana Braga, da representação brasileira da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF), em entrevista ao estadao.com.br. No mesmo sentido, Silvia Backes, coordenadora do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em Brasília, afirmou à reportagem que há uma preocupante falta de médicos e suprimentos no local.

 

O governo do Haiti calcula que pelo menos 30 mil pessoas morreram e outras 3 milhões foram afetadas pelo desastre, embora as autoridades reconheçam que ainda não é possível contabilizar cifras oficiais. "Nossas instalações foram todas danificadas. Retiramos os pacientes e montamos quatro tendas perto de onde eram os nossos prédios, para atendimentos improvisados. Mais de mil já foram atendidos, com fraturas e grande traumas", afirma Juliana. No Haiti desde 1991, o MSF conta com 800 funcionários no país, e mais 80 estão sendo enviados como reforço. Doze são brasileiros.

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Com 80 profissionais no Haiti, o CICV também ressalta que o país, que já possuía infraestrutura precária antes do desastre, vive agora situação de emergência. "Nosso escritório foi afetado pelo terremoto, mas está em funcionamento. Estamos atendendo os feridos dentro do possível, mas está muito difícil pela falta de suprimentos e profissionais", destaca Silvia. Segundo ela, estão sendo enviados ao local cirurgiões especializados em operações de guerra e condições adversas.

 

Para Juliana, a necessidade maior dos haitianos é por cirurgias, que estão sendo feitas nas instalações improvisadas. "No momento em que mais se precisa de ajuda, não temos como oferecer, porque as unidades não têm como recebê-los", acrescenta.

 

Na disputada sala de cirurgia do hospital público que continuou em pé, no distrito Cite Soleil, uma equipe do grupo começou a atender. Mas as necessidades são enormes. "Alimentos, água e materiais de abrigo estão acabando", destaca. Sete aviões foram preparados com suprimentos, mas até agora apenas um que saiu do Panamá conseguiu pousar, com 7 toneladas de material de auxílio, que inclui kits médicos para desastres, cobertores, lâminas de plástico, kits de higiene e de cozinha, tendas e galões de água.

 

A ONG ainda não cogita transportar os feridos para os países vizinhos, pela dificuldade em transitar pelas ruas devastadas de Porto Príncipe.

 

PRIORIDADES

 

O CICV trabalha com três prioridades. Além do atendimento às vítimas, que é o grande foco das equipes, Silvia Backes destaca outras duas grandes necessidades dos haitianos: identificação dos cadáveres - que se amontoam nas ruas - e restabelecimento de laços familiares. "Não adianta apenas enterrar as vítimas. Iniciamos um procedimento chamado identificação e disposição de restos mortais", explica.

 

Para ajudar a unir as famílias separadas pela tragédia, o comitê criou um site onde as pessoas podem se cadastrar e avisar os parentes que estão vivos. A página tem informações em inglês e francês. Silvia também destaca a solidariedade dos haitianos, que se unem voluntariamente às equipes de resgate. Segundo ela, não é possível contar o número de voluntários, que ajudam como pode.

 

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