Era Fujimori foi marcada por combate a rebeldes e intimidação

Ex-presidente peruano é condenado por violações de direitos humanos por sequestros e assassinatos

O Estado de S. Paulo,

07 de abril de 2009 | 14h04

Quase uma década anos após deixar o poder, o ex-presidente peruano Alberto Fujimori, de 70 anos, ainda é uma figura controvertida no Peru. Para alguns, ele é o homem que teve coragem de enfrentar os militantes do grupo rebelde maoista Sendero Luminoso. Para outros, é um déspota corrupto e golpista que enviou esquadrões da morte para matar inocentes e desviou dinheiro público durante seu longo período de governo, de 1990 a 2000.

 

Fujimori, filho de japoneses, tornou-se presidente do Peru em 1990, após derrotar o escritor Mario Vargas Llosa com uma campanha baseada no distanciamento dos políticos tradicionais. Na época, o país sofria com a hiperinflação e a violência política. Logo após tomar posse, o agrônomo e ex-professor de matemática lançou um programa radical de reformas

 

econômicas, acabando com subsídios, privatizando empresas estatais e reduzindo o papel do Estado na economia. Apesar de acabar com a inflação e abrir caminho para o crescimento econômico, a reforma de Fujimori dificultou a vida dos peruanos: a maior parte da mão-de-obra do país passou para a economia informal e a taxa oficial de desemprego oficial superava os 60%.

 

Além de controlar a economia, o então presidente peruano endureceu o combate às guerrilhas esquerdistas. Um dos episódios marcantes de seu governo foi a libertação de dezenas de reféns sequestrados pelo grupo guevarista Movimento Revolucionário Túpac Amaru, (MRTA), na residência do embaixador japonês, em Lima, tomada em dezembro de 1996. Conhecido como um homem frio e autoritário, Fujimori exerceu o poder com mão-de-ferro, com apoio das Forças Armadas, sua principal aliada. Entre janeiro e março de 1995, enfrentou o Equador numa guerra pelo controle da foz do Rio Cenepa. O conflito encerrou-se oficialmente com a assinatura de um acordo em 1998, em Brasília.

 

Dois anos depois de assumir o cargo, Fujimori dissolveu o Congresso, afirmando que o Legislativo estava prejudicando o combate ao Sendero Luminoso. Apesar das críticas, Fujimori foi reeleito pelos peruanos, em 1995, vencendo com ampla maioria. Durante seu segundo mandato, no entanto, foi acusado de intimidar opositores, usando o serviço secreto, liderado por seu aliado Vladimiro Montesinos. De acordo com a oposição, o governo peruano passou a pressionar também meios de comunicação e o Judiciário, além de financiar suas campanhas com recursos públicos. O anúncio de que Fujimori tentaria um terceiro mandato chocou o país. Seis meses após ter vencido as eleições de maio de 2000, Fujimori fugiu para o Japão após o escândalo que teve o ex-chefe de inteligência Montesinos como pivô. Fujimori enviou uma mensagem de renúncia ao Congresso por fax. Mas os congressistas a rejeitaram e aprovaram sua destituição por "incapacidade moral".

 

Braço direito de Alberto Fujimori, o ex-chefe de inteligência Vladimiro Montesinos foi o pivô de sua queda. Ele é acusado de montar um esquema sem precedentes de subornos e de chantagear políticos, juízes, jornalistas e empresários. Sua derrocada foi a divulgação de um vídeo que ele havia gravado, em setembro de 2000. Na fita, Montesinos suborna um deputado da oposição. Foi o primeiro "vladivídeo", que desatou o escândalo que levou Fujimori a fugir do país, dois meses depois. Em junho de 2001, Montesinos foi preso na Venezuela e deportado. Hoje, cumpre pena de 15 anos em Lima e responde a dez processos por corrupção e crimes contra a humanidade.

Tudo o que sabemos sobre:
Alberto FujimoriPeru

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.