Escândalos atrapalham eleição na Colômbia a duas semanas da votação

Alegações de espionagem e suborno marcaram a corrida eleitoral na Colômbia, e os principais conselheiros de dois candidatos à Presidência pediram demissão após uma campanha amarga que pode desestimular o apoio dos eleitores a duas semanas da votação.

JULIA SYMMES COBB E LUIS JAIME ACOSTA, Reuters

09 Maio 2014 | 19h20

Tanto o presidente, Juan Manuel Santos, quanto o seu adversário mais próximo, Oscar Ivan Zuluaga, saíram manchados pela troca de baixarias entre a suas equipes, desviando a atenção de uma eleição que estava a caminho de ser um referendo sobre o processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Zuluaga, que representa o partido Centro Democrático, é um opositor ferrenho das negociações iniciadas por Santos há 18 meses com o grupo guerrilheiro em Havana, Cuba.

O chefe de campanha de Santos, o venezuelano Juan José Rendón, pediu demissão nesta semana depois das acusações, feitas por um traficante em depoimento, de que ele teria recebido 12 milhões de dólares para evitar que o criminoso e vários associados fossem extraditados aos Estados Unidos.

Dois dias mais tarde, o chefe de campanha de Zuluaga, Luis Alfonso Hoyos, também se demitiu depois que veio à tona um escândalo de espionagem que parece conectá-lo aos esforços para impedir as negociações com as Farc.

Depois, o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, que já foi aliado de Santos e agora apoia Zuluaga, disse ter provas de que a equipe de Santos na eleição de 2010 usou 2 milhões de dólares do montante recebido por Rendón para pagar dívidas da campanha.

A troca de acusações está relegando as propostas de campanha a um segundo plano e pode alterar o destino político dos candidatos no primeiro turno em 25 de maio.

"Nesta campanha realmente não ouvimos muito sobre as propostas dos candidatos, só os escândalos e os ataques entre eles", disse Angela Baron, engenheira de 43 anos. "Isso só mostra o baixo nível dos nossos políticos".

As pesquisas colocam Santos e Zuluaga na frente no primeiro turno, mas nenhum é capaz de somar votos suficientes para evitar um segundo turno em 15 de junho.

"Isso irá influenciar o voto consideravelmente", afirmou o analista político Alejo Vargas. "Infelizmente, o cidadão comum é inclinado a votar baseado em sentimentos e simpatias".

Outros candidatos podem se beneficiar do impasse, ou então os escândalos podem levar a uma maior abstenção, que analistas já preveem que será alta.

As duas campanhas pediram investigações dos rivais, ao mesmo tempo negando ter conhecimento de qualquer atividade ilegal.

Rendón, crítico do governo socialista da Venezuela, negou ter aceitado qualquer dinheiro, mas decidiu sair para evitar que, segundo ele, "inimigos da paz" manchem Santos e a campanha eleitoral da coalizão U.

Já a campanha de Zuluaga enfrenta acusações de que um integrante de sua equipe de mídia social teria espionado as comunicações das negociações de paz e possivelmente invadido o e-mail do presidente.

O funcionário, Andres Sepulveda, foi preso e acusado de espionagem, interceptação de dados e uso de software prejudicial. A promotoria disse haver "indicações preliminares" de que os e-mails de Santos também foram monitorados.

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