Espanha pede que UE revise posição comum a respeito de Cuba

Para chanceler, posição adotada desde 1996 deve ser revista após libertações de presos cubanos

Efe,

26 de julho de 2010 | 19h41

BRUXELAS- A Espanha pediu nesta segunda-feira, 26 à União Europeia (UE) para definir uma nova relação com Cuba depois que as autoridades cubanas deram demonstrações de uma mudança de atitude com a libertação de presos políticos.

 

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"Cumpri a parte do mandato informal que me foi dada", disse o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, em referência à última reunião da UE, em junho, na qual foi decidida adiar a revisão da chamada "posição comum" do bloco.

 

"Me deram um tempo de margem, de confiança, para ver se havia uma nova atitude por parte das autoridades cubanas e informei que assim ocorreu", explicou o ministro.

 

Segundo Moratinos, hoje "não houve discussão" sobre a posição comum que regula desde 1996 as relações entre a UE e Cuba, e sua revisão ficou, como estava previsto, para o próximo Conselho de Assuntos Exteriores, em setembro.

 

Para o chanceler espanhol, "chegou o momento de estabelecer uma nova relação entre a UE e Cuba, já que a que existe até agora não responde aos novos momentos vividos em Cuba e que Cuba quer viver em relação com a União Europeia".

 

Moratinos disse estar "surpreso" com o fato de que alguns dos presos políticos recebidos na Espanha tenham pedido publicamente que a UE não mude sua posição em relação a Cuba.

 

Segundo o ministro, se os presos políticos receberem o que alguns deles pedem, como o asilo político ou o status de refugiado político, "não poderão fazer este tipo de declarações, não poderão fazer críticas ao governo que os acolhe ou ao país de onde vêm".

 

Moratinos deixou claro que quem decidirá sobre o futuro das relações entre UE e Cuba serão os governos europeus.

 

Perguntado sobre se acha possível um acordo em setembro sobre uma nova relação entre a UE e Cuba, o espanhol respondeu que está "convencido".

 

O governo cubano firmou neste mês um acordo com a Igreja Católica mediado por Moratinos para a libertação dos 52 presos políticos remanescentes da Primavera Negra, em 2003. Um grupo de vinte prisioneiros que aceitou viver na Espanha já chegou ao país europeu. As demais libertações devem ser concluídas em até quatro meses.

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