Espanha rejeita extradição de Isabelita Perón à Argentina

Ex-presidente é acusada de violação de direitos humanos; Madri afirma que seus crimes já prescreveram

Agências internacionais,

28 de abril de 2008 | 08h40

A Audiência Nacional espanhola rejeitou nesta segunda-feira, 28, a extradição da ex-presidente argentina María Estela Martínez, conhecida como Isabelita Perón, a seu país, ao considerar que os crimes pelos quais era acusada não são de lesa-humanidade e, portanto, prescreveram. Ela é acusada pelo desaparecimento do militante político Héctor Fagetti e da prisão e tortura de Jorge Valentín Betón, em 1976.   Isabelita foi a terceira mulher do presidente Juan Domingo Perón. Ela governou a Argentina depois da morte de Perón, em 1974, até março de 1976, quando foi deposta por um golpe militar comandado pelo general Jorge Rafael Videla. Segundo a BBC, durante seu governo, a Aliança Anticomunista Argentina, também conhecida como Triplo A, perseguiu e matou opositores do governo. Segundo grupos internacionais de direitos humanos, esquadrões da morte mataram aproximadamente 1,5 mil opositores do governo entre 1973 e 1974.   Durante sua defesa, a ex-presidente chegou a alegar que a Justiça argentina não poderia julgá-la por se tratar de uma cidadã espanhola e por causa de seu estado de saúde delicado, ser desaconselhável para uma mudança para a Argentina.   Uma das acusações responde a uma solicitação do juiz Héctor Acosta, da província de Mendoza, que acusa a ex-presidente do desaparecimento do militante político Héctor Fagetti e da detenção e torturas de Jorge Valentín Betón, em 1976. A solicitação de Acosta derivou na detenção de Isabelita o 12 de janeiro de 2007 em seu domicílio de Villanueva da Cañada (cerca de Madri), onde reside desde 1981, por ordem do juiz Juan do Olmo, quem decretou liberdade provisória para a ex-presidente.Duas semanas depois, o juiz Juan del Olmo comunicou a Isabelita a segunda ordem de detenção contra ela na Argentina, relacionada à suposta responsabilidade nos crimes do Triplo A, investigados pelo juiz Norberto Oyarbide. Este juiz investiga as atividades da Aliança Anticomunista Argentina, à qual são atribuídos 1.500 atentados e assassinatos de opositores e militantes de esquerda entre 1973 e 1975.

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