Especialista chileno diz que nuvem vulcânica dará volta ao mundo

Autoridades dizem que cinzas do vulcão Puyehue estão se deslocando com velocidade

15 de junho de 2011 | 01h58

SANTIAGO DO CHILE - O diretor do Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin), Enrique Valdivieso, sustentou na terça-feira, 14 que a nuvem de cinzas do complexo vulcânico chileno Puyehue-Cordón Caulle, que entrou em erupção em 4 de junho, "dará a volta ao mundo".

 

"A nuvem se desloca em velocidade bastante alta e assim permanecerá", assegurou o especialista.

Em declarações à CNN Chile, Valdivieso advertiu que o complexo vulcânico perdeu a estabilidade que demonstrara até segunda-feira e que nesta terça "houve eventos em que a coluna de fumaça foi de até 10 quilômetros. Ontem tivemos colunas baixas, de 4,5 e 5 quilômetros", precisou.

 

"Hoje a situação foi um pouquinho mais instável. Aumentou a quantidade de sismos com relação ao que tínhamos ontem, seguimos com uma média de seis sismos por hora", indicou Valdivieso, mas indicou que essa média de fenômenos telúricos é normal para este tipo de situação.

 

Segundo o especialista, que sobrevoou o complexo vulcânico em várias oportunidades, a ininterrupta erupção que mantém em alerta vermelho os municípios de Futrono, Lago Ranco, Río Bueno e Puyehue, no sul do Chile, é similar à ocorrida em 1960.

 

Após indicar que os vulcanólogos estudaram minuciosamente as informações do que aconteceu em 1960 e o ocorrido em 1921 e 1922, Valdivieso indicou que em ambas as erupções a situação de nuvens, gás e de poluição se manteve aproximadamente por dois meses.

 

O especialista chileno esclareceu que, enquanto a situação não mudar, os evacuados não poderão retornar a seus lares na zona mais próxima do complexo vulcânico.

 

Nesta terça-feira, um noticiário da estatal Televisión Nacional (TVN) chegou a menos de um quilômetro do vulcão e mostrou que além da espessa coluna de fumaça e cinzas que já alcançou os céus da Austrália e colapsou o tráfego aéreo na América do Sul, o Puyehue lança milhares de pedras incandescentes e pequenas rochas.

 

As autoridades regionais decidiram nesta terça-feira manter o "alerta vermelho 6" na zona, enquanto seguem trabalhando nas cercanias do complexo vulcânico funcionários do Escritório Nacional de Emergência (Onemi), dependente do Ministério do Interior, especialistas em vulcanologia e efetivos dos Carabineiros e do Exército.

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