Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Esperança nasce com ser humano, diz D. Paulo sobre Zilda Arns

Fundadora da Pastoral da Criança morreu na terça-feira durante terremoto que atingiu a capital do Haiti

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2010 | 13h47

O cardeal d.Paulo Evaristo Arns, irmão da médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, ditou para sua assistente, irmã Devani Maria de Jesus, mais uma declaração sobre o sentido da vida e do trabalho da fundadora da Pastoral da Criança, uma das vítimas do terremoto de terça-feira em Porto Príncipe, no Haiti.

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"Quanto mais eu medito sobre a vida de Zilda Arns Neumann e seu trabalho em favor das crianças e mães pobres, me convenço de que a esperança nasce com a pessoa humana e se realiza plenamente no Deus-criador. Sinto que foi e é esse o sentido da vida e ação da Doutora Zilda Arns Neumman", diz o texto da declaração.

 

D.Paulo falou sobre sua irmã durante a missa que celebrou às 7h30, na capela da casa das Irmãs Franciscanas da Ação Pastoral, no município de Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo, onde reside. "Ele nos pediu para rezar pelas vítimas do terremoto e especialmente pela sua irmã, voltando a repetir que a Doutora Zilda realizou um trabalho muito de acordo com a proposta evangélica de Jesus Cristo", informou a irmã Devani.

Emocionado, mas muito sereno, segundo a religiosa, d. Paulo leu o noticiário dos jornais sobre a catástrofe do Haiti e passou um bom tempo contemplando as fotos. "Nas páginas do Estado, ele identificou a foto em que aparece ao lado da Doutora Zilda, no encontro com o papa Bento XVI, em maio de 2007, no Colégio São Bento", disse irmã Devani.

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D.Paulo não vê televisão, mas lê diariamente o Estado e a Folha de S. Paulo, além de revistas nacionais e estrangeiras que assina. Ele acompanha, em detalhes, as informações sobre o terremoto e as circunstâncias em que morreu sua irmã.

O cardeal recebe informações diretas também da coordenação da Pastoral da Criança, em Curitiba, onde trabalha seu sobrinho Nelson, um dos filhos de Zilda Arns.

Na quarta-feira, Nelson Arns informou ao tio que a família está providenciando um documento pedido pelas autoridades, no Haiti, para a liberação do corpo de Zilda Arns. Conforme nota distribuída pela Pastoral da Criança, o senador Flávio Arns, seu sobrinho, que viajou a Porto Príncipe, está tratando da burocracia. O senador relatou para a Pastoral as circunstâncias da morte da tia:

"A Dra. Zilda estava em uma igreja, onde proferiu uma palestra para cerca de 150 pessoas. Ela já tinha acabado seu discurso e estava conversando com um sacerdote, que queria mais informações sobre o trabalho da Pastoral da Criança. De repente, começou o tremor. O padre que estava conversando com ela, deu um passo para o lado e a Dra. Zilda recuou um passo e foi atingida diretamente na cabeça, quando o teto desabou. Ela morreu na hora.A Dra. Zilda não ficou soterrada. O resto do corpo não sofreu ferimentos, somente a cabeça foi atingida. O sacerdote que conversava com ela sobreviveu. Já outros quinze sacerdotes que estavam próximos a ela faleceram".

Sem condições físicas de viajar para acompanhar o sepultamento, no Paraná, d.Paulo, que é arcebispo emérito (aposentado) de São Paulo, pediu ao novo bispo de Franca, d. Pedro Luiz Stringhini, para representá-lo. Irmã Devani e a superiora das Franciscanas da Ação Pastoral também vão a Curitiba, a pedido de d.Paulo. 

 

 

 

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