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Espião argentino no centro do caso Nisman é acusado de contrabando

Stiuso é um desafeto de longa data da presidente Cristina, desde que ela propôs a formação de uma "comissão da verdade" juntamente com Teerã para explicar o atentado contra a Amia

O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2015 | 18h24

BUENOS AIRES - O espião argentino que está no centro do escândalo causado pela morte de um promotor público no mês passado foi acusado nesta terça-feira, 24, de contrabandear toneladas de mercadorias importadas durante seus últimos anos como diretor do serviço de contrainteligência do país.

Antonio Stiuso foi demitido da Secretaria de Inteligência (SI) em dezembro, semanas antes de o promotor público Alberto Nisman ter acusado a presidente argentina, Cristina Kirchner, de tentar acobertar um suposto envolvimento do Irã num grande atentado de 1994 em Buenos Aires.  

O governo afirma que Nisman, que foi encontrado morto com um tiro na cabeça em 18 de janeiro, foi manipulado por Stiuso para fazer a acusação como uma maneira de difamar Cristina.A morte misteriosa de Nisman piorou desconfianças já existentes sobre a integridade do sistema judiciário argentino, levando a oposição a organizar protestos nas ruas exigindo respostas.

Em sua mais recente acusação contra Stiuso, o governo disse nesta terça-feira que ele importou secretamente toneladas de bens não identificados, cuja destinação permanece desconhecida."Concluímos que em 2013 e 2014, importações contrabandeadas foram receptadas totalizando 94 toneladas. Esses bens não foram para a SI nem cumpriram qualquer função para a agência", disse o diretor de Inteligência Nacional, Oscar Parrilli, em pronunciamento transmitido pela TV.

"Muitas dessas mercadorias entraram no país sob o nome de Antonio Stiuso", acrescentou ele. Alguns agentes alfandegários também foram implicados nas operações de importação ilegal, afirmou Parrilli.Stiuso deixou a Argentina na semana passada depois de prestar depoimento à promotora que investiga a morte de Nisman.

Juízes foram designados para examinar tanto as evidências contra Cristina Kirchner como aquelas contra Stiuso, de modo a garantir que as denúncias não se transformem simplesmente em casos de difamação mútua entre facções rivais no obscuro mundo da inteligência argentina.

O ataque a bomba de 1994 contra um centro comunitário judeu da Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em Buenos Aires, causou a morte de 85 pessoas. Os tribunais argentinos atribuíram o crime a agentes do Irã, que nega qualquer envolvimento.

Stiuso é um desafeto de longa data de Cristina, desde que ela propôs a formação de uma "comissão da verdade" juntamente com Teerã para explicar o atentado, de acordo com fontes familiares com a investigação que pediram para não serem identificadas.

Após o escândalo Nisman, pesquisas de opinião têm mostrado uma queda na popularidade da presidente, já abalada em razão de uma economia em dificuldades. Ela está constitucionalmente impedida de concorrer a um terceiro mandato na eleição marcada para outubro. / REUTERS                

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