Esposa de Zelaya anuncia retorno à capital de Honduras

Ela planeja cruzar a fronteira, após permanecer três dias na cidade de El Paraíso, perto da Nicarágua

Efe

31 de julho de 2009 | 03h54

Xiomara Castro, esposa do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, anunciou que volta na noite da quinta-feira, 30, a Tegucigalpa depois de três dias na cidade de El Paraíso, próxima à fronteira com a Nicarágua.

 

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Castro disse à imprensa que retorna à capital e que continuará nesta sexta-feira, 31, "com a estratégia que o presidente quer", mas advertiu que voltará a El Paraíso para uma nova tentativa de chegar à passagem fronteiriça de Las Manos, no departamento (estado) de El Paraíso, para se encontrar com seu marido.

 

Na sexta-feira passada, 24, Zelaya tentou e não conseguiu retornar a Honduras por essa região da fronteira com a Nicarágua. A primeira-dama viaja acompanhada por 11 familiares, entre eles três filhos e a mãe de Zelaya, Hortensia Rosales, e outras 60 pessoas, entre amigos e parentes.

O anúncio de seu retorno à capital depois de o líder deposto ter dito em Manágua, onde se reuniu com o embaixador dos Estados Unidos em Honduras, Hugo Llorens, que tinha dado instruções a sua esposa para retornar a Tegucigalpa.

 

Castro chegou a El Paraíso na terça-feira depois de permanecer retida durante três dias em Arenal e Jacaleapa, em sua tentativa de chegar a Las Manos para se encontrar com seu marido. Na terça-feira, 28, a esposa de Zelaya foi impedida de chegar a Las Manos por militares e policiais porque queria fazê-lo acompanhada de mais mil pessoas, segundo o juiz executor Nery Velázquez.

 

Nesta quarta-feira, 30 ainda em El Paraíso, Castro recebeu pedidos de empresários e de um sacerdote católico da região para que deixasse a região porque sua presença estaria incomodando diferentes setores.

 

A esposa de Zelaya disse que começará em Tegucigalpa negociações para a suspensão "do estado de sítio, e não toque de recolher", decretado pelo Governo do novo presidente de Honduras, Roberto Micheletti, no departamento de El Paraíso.

 

 

Zelaya pede ação mais enérgica dos EUA

 

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu aos Estados Unidos para que "recrudesçam de forma mais enérgica" suas medidas contra as novas autoridades de seu país, lideradas por Roberto Micheletti.

 

Zelaya fez este pedido ao embaixador dos EUA em Tegucigalpa, Hugo Llorens, com quem inesperadamente se reuniu na quinta-feira, 30 na embaixada de Honduras em Manágua.  "Pedimos que se recrudesçam de forma mais enérgica as medidas que os EUA possam tomar para reverter o processo e os efeitos negativos deste golpe de Estado, que está envergonhando e humilhando a própria humanidade", disse em entrevista coletiva o líder deposto hondurenho.

 

Na terça-feira, 28, os EUA anunciaram a suspensão dos vistos diplomáticos de quatro funcionários do Governo hondurenho liderado por Roberto Micheletti, que substituiu Zelaya na Presidência após o golpe de 28 de junho e que não é reconhecido pela comunidade internacional.

 

Zelaya fez esse mesmo pedido aos países da América Latina e aos da União Europeia (UE), assim como às Nações Unidas e à Organização dos Estados Americanos (OEA), entre outros organismos. O líder deposto também exigiu de organizações como ONU, OEA, UE, Grupo do Rio, Mercosul, e o Sistema da Integração centro-americana (Sica) que façam valer o direito internacional público.

 

Zelaya também condenou a "barbárie" ocorrida hoje em Honduras, quando a Polícia dispersou seus seguidores que bloqueavam o trânsito de uma estrada em ação que deixou pelo menos seis feridos - um deles levou um tiro na cabeça - e 88 detidos.

 

O presidente deposto denunciou que as novas autoridades lançaram "bombas lacrimogêneas com gases tóxicos sobre a população" para dispersar essa "manifestação pacífica" contra o golpe de Estado.

 

 

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