Esquerda da América Latina festeja posse de Lugo no Paraguai

O ex-bispo Fernando Lugo toma posse nasexta-feira como presidente do Paraguai, numa cerimônia queterá a presença dos principais líderes esquerdistas da AméricaLatina. Lugo, cuja formação política está ligada à Teologia daLibertação e à luta dos sem-terra, encerrou 61 anos dehegemonia política do Partido Colorado ao ser eleitopresidente, em abril, com 40 por cento dos votos. Na véspera da posse, milhares de seguidores foram a umginásio da capital para ver um discurso em que ele prometeu nãoelevar o próprio salário. "Assim que Lugo começar a mudar as coisas os ataques vãocomeçar. Mas graças a Deus temos o apoio do nosso povo. Novosventos estão soprando na América Latina, que realmente vive umanova era", disse o presidente esquerdista do Equador, RafaelCorrea, ao desembarcar em Assunção na quinta-feira. O boliviano Evo Morales declarou que Lugo é um "irmão" quefaz parte das transformações na região. O venezuelano HugoChávez, outro expoente da esquerda latino-americana, tambémdeve assistir à posse. Embora Lugo prometa governar para os pobres, ele sediferencia de Chávez e aliados por adotar um tom maisconciliador em relação à iniciativa privada e por prometermenos intervenção estatal na economia. O brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a argentinaCristina Kirchner também devem comparecer à cerimônia. Já ospresidentes mais conservadores da região --Alan García (Peru),Álvaro Uribe (Colômbia) e Felipe Calderón (México)-- devemapenas enviar representantes. Para permitir a posse de Lugo, o Vaticano aceitou comrelutância revogar o seu "estado clerical". Eleito com 40 por cento dos votos em turno único, Lugochega ao poder cercado por grandes expectativas, mas terá deenfrentar enormes desafios --especialmente a corrupção,endêmica no país. O problema é tão grave que Lugo diz ter tido dificuldadesem encontrar um diretor de alfândegas, epicentro da indústriaparaguaia do contrabando. Uma pessoa convidada para o cargosofreu ameaças de morte, segundo o novo presidente. O Nobel de Economia norte-americano Jospeh Stiglitz dáconsultoria ao novo governo e sugeriu a Lugo que taxe asexportações de soja e carne em 15 por cento, para melhorar aarrecadação fiscal. (Reportagem adicional de Mariel Cristaldo)

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