Estado de emergência pode piorar conflito colombiano, diz ONU

Medida foi decratada por Álvaro Uribe para enfrentar uma greve do Judiciário que dura mais de um mês

Efe,

10 de outubro de 2008 | 19h31

A ONU declarou nesta sexta-feira, 10, que o estado de emergência decretado pelo governo colombiano no poder judiciário contra a greve de funcionários pode "exacerbar" o conflito interno. A presidente-relatora do grupo de trabalho sobre a Detenção Arbitrária da ONU, a espanhola Manuela Carmena Castrillo, afirmou em entrevista coletiva que o "estado de comoção interior", como se denomina na Colômbia este tipo de emergência, é "um tratamento que pode agravar a doença."   Veja também: Histórico dos conflitos armados na região      O presidente Álvaro Uribe decretou na quinta esta medida para combater a paralisação dos despachos judiciais causada pela greve de mais de um mês dos empregados da administração de Justiça. Uribe classificou como "inaceitável" que quem garante os direitos e liberdades das pessoas se declare em greve. "É como se tirar um pilar da estrutura", disse.   A relatora do grupo de trabalho da ONU pediu que as partes cheguem a um acordo, solucionando as causas que geraram o conflito. "O Executivo tem um trabalho importante de buscar uma solução, um caminho de conciliação e coincidência com o judicial, e por sua vez o judicial deve assumir sua função e em modo algum pode delegar suas funções", ressaltou.   O estado de emergência foi anunciada pelo presidente Uribe, ao dizer que, devido à greve, 2.700 detidos por homicídio, narcotráfico e posse de armas foram libertados por vencimento de termos legais. Além disso, provocou falhas em mais de 120 mil processos e à não realização de cerca de 25 mil audiências desde 3 de setembro, quando começou greve, acrescentou o presidente colombiano.   Os integrantes da Associação Nacional de Empregados do Poder Judiciário convocaram a greve em 3 de setembro em reivindicando melhoras salariais e autonomia e em relação ao poder Executivo.  

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