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Estados Unidos e Cuba realizam reunião sigilosa em Havana

Funcionária do Departamento de Estado e vice-chanceler cubano discutem migração em raro encontro

AP e Efe,

29 de setembro de 2009 | 21h04

Uma funcionária americana de alto escalão prolongou sua estadia em Cuba para manter conversas que não haviam sido divulgadas por Washington ou Havana, admitiu nesta terça-feira, 29, o Departamento de Estado americano. Bisa Williams, subsecretária de Estado adjunta para a América Latina, permaneceu em Havana durante seis dias e se reuniu com o vice-chanceler cubano Dagoberto Rodríguez, após ter liderado a delegação que, em 17 de setembro, dialogou com as autoridades cubanas sobre a possibilidade de restabelecer o correio direto entre os dois países, indicaram fontes do Departamento.

 

Nas conversas, as primeiras de uma funcionária americana desta categoria em Cuba em anos, foram tratados assuntos como o funcionamento da Escritório de Interesses dos EUA em Havana e as relações migratórias, segundo as fontes. Até agora, o Departamento de Estado apenas tinha se referido oficialmente ao diálogo que os dois países retomaram no dia 17.

 

Em comunicado no dia seguinte, o governo se mostrou satisfeito com a primeira rodada de conversas sobre este tema, ao considerar que tinham se desenvolvido positivamente, e apenas afirmou que foram discutidos temas relacionados ao transporte, qualidade e segurança do serviço postal entre os dois países. No entanto, EUA e Cuba não só falaram do correio direto na reunião de um dia de duração, e Williams prolongou sua estadia na ilha para abordar outros assuntos de interesse para ambas as nações, como a migração.

 

Estados Unidos e Cuba retomaram em 14 de julho, nas Nações Unidas, suas conversas sobre migração, após estas terem sido interrompidas formalmente em 2004. Washington e Havana retomaram, assim, conversas que foram suspensas de fato em 2003 e oficialmente um ano depois, durante o segundo mandato do presidente George W. Bush e por ordem dele.

 

No entanto, o Departamento de Estado tentou minimizar as conversas. "Bisa Williams liderou uma delegação a Havana para iniciar conversas sobre o possível restabelecimento do correio direto entre EUA e Cuba" que era formada por funcionários do Departamento de Estado e do Serviço Postal dos Estados Unidos, disse à Agência Efe o porta-voz para a América Latina, Charles Luoma-Overstreet.

 

"Durante estas conversas, os representantes dos EUA e de Cuba falaram do status atual do serviço postal entre os dois países e de vários pontos técnicos relacionados à entrega dos correios", disse. Williams também falou "de aspectos relacionados à operação eficaz do Escritório de Interesses em Havana e depois também de assuntos referentes às relações migratórias entre EUA e Cuba", afirmou o

Porta-voz.

 

Luoma-Overstreet afirmou que, como costumam fazer os funcionários quando viajam ao exterior e a Cuba, Williams se reuniu com "vários funcionários do governo de Havana e com representantes da sociedade civil, a fim de poder ter uma imagem da situação política e econômica no local."

 

A administração do presidente Barack Obama tenta, desde sua chegada à Casa Branca, melhorar as relações com Cuba. Em abril, Obama suspendeu as restrições às viagens de parentes e envios de remessas a Cuba, o que deu espaço a uma certa abertura em relação à ilha.

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