Estrangeiro desfila em Cuba movido por mística revolucionária

Mais de mil de estrangeiroscomemoraram na quinta-feira o Dia do Trabalho em Havana,atraídos por uma mística revolucionária que, asseguram, hoje sóencontram em uma das últimas nações socialistas do planeta. Estes simpatizantes voaram a Cuba vindos de 61 países paraparticipar em um grande desfile na praça da Revolução comandadopelo presidente Raúl Castro. "É como voltar a viver a história", disse Ruzgar Mira Okan,engenheira turca de 27 anos que tentava se mover na multidãocom uma câmera de vídeo na mão. "Aqui a revolução está viva. Cuba continua desafiando osEstados Unidos", acrescentou Okan. Ela fazia parte de grupo de81 turistas turcos que participaram da manifestação em Havana. Muitos foram a Cuba por meio de viagens organizadas porsindicatos e grupos políticos de países como Grã-Bretanha,México, Equador, Uruguai e França. Outros vieram de lugares mais remotos como Vietnã, Nigéria,Japão, Congo e Israel. A maioria vestia camisetas com a reprodução do rostobarbudo de Ernesto "Che" Guevara, o guerrilheiro argentinosímbolo da revolução cubana de 1959. Alguns usavam quepes militares verde oliva como o que usouo líder Fidel Castro durante quase meio século até ficar doentee sair do poder em julho de 2006. Rasko Vukcevic, sérvio de 52 anos que reside em Melbourne,Austrália, ampliou suas férias para participar da marcha. "Para a gente, é como voltar ao passado. No nosso país jánão se fazem manifestações como esta", disse, contendo aslágrimas que brotavam dos olhos. Uma década e meia depois do fim da União Soviética e domundo socialista, Cuba segue fiel a sua doutrina marxista. Milhares de simpatizantes visitam todos os anos a ilha emprogramas de turismo revolucionário organizados pelo Institutode Amizade com os Povos, estatal. Outros, como o norueguês Markus Nilsen, simplesmenteestavam em Cuba e seguiram a curiosidade. "Se você está emHavana num 1o de maio, tem que desfilar na praça da Revolução.É imperdível", disse o estudante de 29 anos. Veteranos militantes de esquerda, como o brasileiro JoséVasconcelos, contam que vieram em busca de inspiração. "Tudonos atrai no 1o de maio em Cuba, principalmente a garra, ocivismo, o patriotismo que os cubanos têm", disse o advogado de56 anos. A manifestação do Dia do Trabalho foi salpicada também porbandeiras de dezenas de países, da Argentina à Venezuelapassando pelo Timor Oriental, nas mãos de muitos jovensestrangeiros que estudam gratuitamente medicina no país.

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