Estudante cubano diz que imprensa deturpou críticas a governo

Eliécer Avila reaparece em vídeo oficial e diz que em nenhum momento questionou o sistema socialista

Esteban Israel, da Reuters,

12 de fevereiro de 2008 | 15h06

Um estudante cubano que questionou o governo pelas restrições para sair do país e a circulação de uma moeda dupla reapareceu nesta terça-feira, 12, em um vídeo oficial, mas, desta vez, para acusar a imprensa estrangeira de mentir e manipular seus comentários.  Veja também:O encontro de jovens com Alarcón Em um vídeo de cerca de cinco minutos divulgado na página na Internet do Granma (www.granma.cubasi.cu), o jornal do Partido Comunista, o jovem Eliécer Avila esclareceu que em nenhum momento questionou o sistema socialista e desmentiu rumores sobre sua prisão no fim de semana em sua casa na Província de Las Tunas, no leste de Cuba. "Me dei conta, realmente, de quão eficaz e rápida é essa maquinaria que tem para tergiversar tudo", disse o estudante da Universidade de Ciências da Informática. "A gente às vezes sente um pouquinho até de impotência por querer explicar a todo o mundo, a todo o país, muito rápido, que praticamente tudo o que estão dizendo é uma mentira total e que desvirtua totalmente o sentido do que muitos opinamos e dissemos", acrescentou. No dia 19 de janeiro, em um encontro com o presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón, Avila questionou duramente sobre as restrições para que os cubanos viagem ao exterior e se hospedem em hotéis reservados a turistas. Perguntou, ainda, por que o Estado lhes paga em pesos e lhes vende certos produtos em uma moeda 24 vezes mais forte e por que lhes proíbe o acesso a serviços de Internet que não pode controlar, como Yahoo! ou Gmail. "Eu quero que se explique o que é um problema de conjuntura e o que é um problema de conceito", disse Avila em uma gravação em vídeo da reunião com Alarcón, que circula de mão em mão por Havana. O presidente do Parlamento, um dos principais dirigentes do governo cubano, reconheceu no vídeo não ter respostas para as várias perguntas. Na entrevista divulgada pelo Granma, o estudante explica o objetivo de suas críticas. "O fato de haver alguns estudantes que expusemos algumas questões, algumas polêmicas ... é para construir melhor o socialismo e não para destruí-lo", disse, acompanhado por dirigentes da oficial Federação Estudantil Universitária.

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