Estudantes e policiais se enfrentam novamente na Venezuela

Uma passeata estudantil em Caracascontra uma proposta governamental de reforma constitucionalterminou na quinta-feira em confrontos entre manifestantes epoliciais, que dispersaram o protesto com gás lacrimogêneo ebalas de borracha. TVs mostraram grupos de jovens derrubando uma barreira desegurança e lançando-a contra o primeiro cerco policial, depoisde chegar até o limite permitido nos arredores da sede doConselho Nacional Eleitoral (CNE), no centro da capital. Cobertos com escudos, a tropa de choque reagiu com jatosd'água e gás lacrimogêneo, o que fez a manifestação commilhares de pessoas recuar. Na semana passada houve incidentes parecidos numa passeataem direção ao Parlamento, também contra a reforma. Os choques da quinta-feira se prolongaram pela avenidaBolívar (centro) e chegaram às portas da Universidade Central,onde os manifestantes se esconderam, aproveitando que aautonomia universitária impede a polícia de entrar ali. Os incidentes deixaram alguns feridos leves. Os dirigentes estudantis que convocaram a manifestaçãopretendiam entregar às autoridades eleitorais um documentopedindo o adiamento da consulta popular sobre a reformaconstitucional planejada pelo presidente Hugo Chávez. Uma comissão de estudantes pôde chegar ao CNE, depois deser atacado com objetos atirados por simpatizantes do governo,para entregar a petição e conversar com dirigentes do órgão. Posteriormente, parte da comissão estudantil tentou semsucesso fazer uma corrente humana dentro da sede do órgãoeleitoral. A presidente do CNE, Tibisay Lucena, definiu o caso comouma tentativa de invasão e anunciou que exigirá umainvestigação para identificar os responsáveis. "O Poder Eleitoral não aceitará sob pressão de nenhumanatureza ou origem que se perturbe o processo eleitoral queculminará com a realização do referendo", afirmou. Embora o CNE não tenha se pronunciado, Chávez disse que acampanha pelo "sim" começará no fim de semana, e que a consultaserá marcada para 2 de dezembro. A cúpula católica, grupos estudantis, partidos de oposiçãoe empresários rejeitam o projeto, alegando que ele viola osdireitos humanos e gera concentração de poderes para opresidente esquerdista. Chávez diz que a reforma é indispensável para promover osocialismo e dar mais poderes ao povo.

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