Estudantes e professores acusam Chávez por violência

Segundo dirigentes, governo financiaria grupo que entrou em confronto com estudantes em universidade

Agências internacionais,

08 de novembro de 2007 | 17h54

Estudantes e professores universitários venezuelanos acusaram nesta quinta-feira, 8, o governo do presidente Hugo Chávez de incitar a violência registrada na quarta-feira na maior universidade do país. Segundo os denunciantes, o mandatário seria o responsável por armar os grupos que entraram em confronto com os estudantes que protestam contra a reforma constitucional promovida pelo governo.   Veja também: Partidários e opositores se enfrentam no Chile Grupo confronta manifestantes na Venezuela Chávez está entre cinco mais sexy da Venezuela Uribe diz que Chávez não participará de cúpula   Na quarta-feira, 7, estudantes contrários às mudanças na Constituição aprovadas pela Assembléia Nacional saíram às ruas para pedir ao Supremo Tribunal de Justiça venezuelano o adiamento do referendo necessário para que reforma seja posta em prática. Quando os jovens retornavam para a Universidade Central da Venezuela (UCV), um grupo armado invadiu a Faculdade de Serviço Social e agrediu alguns dos manifestantes. Segundo o jornal venezuelano El Universal, onze pessoas ficaram feridas - três delas a bala. Nesta quinta-feira, estudantes da UCV e de outras duas universidades voltaram a se reunir para protestar contra a violência. As manifestações também se estenderam para outras cidades do país, como Mérida, Maracaibo, Puerto La Cruz, San Cristóbal e Barquisimeto. Muitos dos protestos tornaram-se violentos com enfrentamentos entre estudantes e policiais. A proposta de reforma da Constituição altera 69 artigos da Carta Magna venezuelana. Entre as medidas mais polêmicas estão a supressão dos limites à reeleição presidencial e a possibilidade de imposição de censura caso o estado de exceção seja decretado. O presidente da Associação de professores da UCV, Víctor Márquez, criticou o ministro do Interior Pedro Carreño, que sugeriu que os estudantes e os meios de comunicação seriam os culpados pelos acontecimentos de quarta-feira. Ainda segundo Márquez, o governo seria o responsável por armar as milícias urbanas responsabilizadas pela violência. "Pedro Carreño mente ao dizer que são os universitários que estão gerando a violência. Eles sabem perfeitamente de onde vem a violência", disse Márquez em uma coletiva de imprensa. O professor destacou ainda que o governo está permitindo que membros de três milícias pro chavistas - o Coletivo Alexis Vive, Os Carapaicas e Os Tupamaros - ataquem os estudantes. "Esses são os responsáveis, os grupos paramilitares do governo." Carreño, por sua vez, pediu equilíbrio aos meios de comunicação na quarta-feira: "Queremos fazer um chamado profundo aos meios de comunicação, para que deixem de emitir notícias tendenciosas carregadas com o ódio de setor da população venezuelana." Denúncia Mais cedo nesta quinta-feira, lideranças do movimento estudantil venezuelano cancelaram uma marcha à sede da Procuradoria Geral da República na qual pediriam a abertura de uma investigação sobre os confrontos entre os manifestantes antichavistas e o grupo armado. Em conversa com o jornal El Nacional, o líder estudantil Ricardo Sánchez disse possuir vídeos e fotos feitas pelos próprios estudantes durante o incidente de quarta-feira que poderiam ser usadas como provas em um eventual processo. Ainda segundo Sánchez, os estudantes possuem uma lista de possíveis suspeitos de envolvimento no incidente. Os jovens pretendiam apresentar denúncias de agressão, tentativa de homicídio, assalto a mão armada, entre otros. Violência na universidade A violência de quarta começou no momento em que os estudantes que regressavam de uma marcha ao Supremo Tribunal Justiça souberam que um ônibus da Universidade Rómulo Gallegos de Guárico havia sido queimado. Os jovens teriam se apressado para saber o acontecera. Segundo o reitor da UCV, Eleazar Narváez, uma pessoa que se apresentou como estudante de sociologia foi detida pelos seguranças da universidade pois seria o responsável pelo ataque contra o ônibus. Em seguida, homens encapuzados e armados teriam forçado o resgate do estudante suspeito, refugiando-se na faculdade de Serviço Social. Professores, trabalhadores e estudantes teriam sido feitos reféns pelo grupo armado. O reitor Narváez foi chamado para negociar, mas teve que fugir do local após a chegada de "50 motoqueiros armados que começaram a disparar contra os que estavam ao redor do edifício". Ele teria pedido a mediação do ministro do Interior, Pedro Carreño, a quem protestou contra a presença dos homens armados, uma vez que a UCV estava sendo protegida por homens da Polícia Metropolitana. O cerco terminou após a intervenção do chefe de Proteção Civil, Antonio Rivero.

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