Estudantes e professores protestam no Chile; 150 são detidos

Centenas de estudantes e professoreschilenos enfrentaram o gás lacrimogêneo e jatos de água dapolícia nesta terça-feira em Santiago, em mais um protestocontra o projeto de reforma educacional. A polícia disse que 150 pessoas foram detidas, sendo 82menores, e que dois policiais ficaram feridos por pedradas. Os manifestantes dizem que o projeto de reforma educacionalnão altera o processo gradual de privatização do ensino, e queo novo sistema irá afetar ainda mais o financiamento dasescolas públicas frequentadas pelos mais pobres. "Estamos protestando contra um projeto que não leva emconta nem desenvolve as aspirações dos estudantes ouprofessores", disse o professor de História Luis Vicencio, umdos líderes da manifestação. "A responsabilidade do Estado é fornecer educação públicapara que os filhos dos mais pobres possam estudargratuitamente", acrescentou. "Com esta lei, isso se perde." Enquanto ele falava, paramédicos atendiam um manifestantecaído na Alameda O'Higgins, principal avenida de Santiago. Elehavia machucado a cabeça ao ser atingido por um jato d'água. Jaime Gajardo, presidente do Colégio Nacional deProfessores do Chile, disse que quatro professores ficaramferidos. "Vamos continuar protestando", declarou Arturo Martinez,presidente da CUT local, que aderiu ao protesto. Ele disse quea central sindical planeja uma greve nacional de dois dias,ainda sem data. "Faremos de tudo para, de forma responsável,impedir esta reforma." Pesquisa publicada neste mês mostrou que a presidenteMichelle Bachelet perdeu popularidade em junho pelo terceiromês, devido aos protestos e à inflação, que chegou ao maiornível desde 1991. O projeto de reforma já passou na Câmara e ainda precisaser votado no Senado. Ele substituiria uma lei em vigor desde ofinal da ditadura de Augusto Pinochet (1973-90). (Por Simon Gardner e Manuel Farias)

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