Estudantes entram em choque com polícia no Chile

Jovens distribuem panfletos contrários à "educação de mercado" às vésperas do Dia do Jovem Combatente

Reuters,

28 de março de 2008 | 13h34

Estudantes chilenos entraram em choque com a polícia no centro de Santiago, nesta sexta-feira, 28, véspera do Dia do Jovem Combatente, data extra-oficial que lembra a morte de opositores à ditadura militar. Dezenas de jovens, alguns deles encapuzados, distribuíram panfletos contrários à "educação de mercado", jogaram pedras contra a polícia e interromperam o tráfego na avenida Alameda, a principal da capital chilena.   Foto: AP Os policiais reprimiram os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo. A imprensa local informa que pelo menos 30 manifestantes foram detidos, a maior parte deles estudantes do ensino médio. "Acreditamos que a educação deve atender ao povo e acabar com o sistema neoliberal que o governo instalou dentro da educação", afirmou a estudante Saray Acevedo, membro da direção da entidade de alunos do ensino médio responsável pela convocação do protesto. Jorge Gálvez, que diz ser porta-voz da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), afirmou que a "idéia consiste em manifestar o descontentamento, além de indicar que o tema da educação não é um tema apenas dos estudantes mas de toda a sociedade, de todo o país." A FPMR realizou ações armadas contra a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990). Nos últimos anos, o Dia do Jovem Combatente tornou-se palco habitual de choques entre a polícia e jovens encapuzados, especialmente durante a noite, no bairro Villa Francia, zona oeste de Santiago, onde moravam os irmãos Eduardo e Rafael Vergara Toledo, militantes de um grupo armado esquerdista. Os dois perderam a vida nas mãos da polícia, no dia 29 de março de 1985, durante a ditadura de Pinochet.  Depois da ditadura de Pinochet, o Chile elegeu quatro governos consecutivos da coalizão de centro-esquerda Concertación, uma aliança entre socialistas e democratas-cristãos. Em 2007, os conflitos foram acompanhados por fogueiras, queima de pneus, tentativas de saque e tiroteios em algumas das áreas da periferia de Santiago. Na ocasião, 859 pessoas foram detidas.  

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