EUA ameaçam 'efeitos' contra Bolívia por expulsar embaixador

Embaixador expulso por Evo diz que decisão foi erro grave; presidente e opositores se reúnem neste domingo

Agências internacionais,

14 de setembro de 2008 | 14h36

O embaixador dos Estados Unidos em La Paz, Philip Goldberg, se despediu neste domingo, 14, da Bolívia após ser declarado "persona non grata" pelo presidente boliviano, Evo Morales, com a advertência de que sua expulsão pode ter "sérios efeitos", incluindo na luta contra o narcotráfico. Em sua última declaração à imprensa boliviana, Goldberg disse que a decisão de Evo era "um grave erro" e afirmou que as acusações de conspiração lançadas pelo presidente boliviano contra os Estados Unidos e contra si são "infâmias completamente falsas e injustificadas".   Veja também: Evo se reúne com opositores; mortos sobem para 28 Lula pretende convencer Evo a aceitar ajuda Entenda os protestos da oposição na Bolívia Filas se formam em frente às distribuidoras de gás   Imagens das manifestações   Chávez aproveita deterioração diplomática dos EUA   A Bolívia conta com ajuda econômica e operacional do governo americano para o combate ao narcotráfico. "Este é um problema que deve ser enfrentado com determinação, antes que está praga se expanda além de nossas sociedades. Justos, podemos enfrentá-lo, mas sem colaboração vamos fracassar", afirmou Goldberg, expulso por Evo acusado de promover a divisão do país ao apoiar a oposição de direita que iniciou a crise política no país.   O governo da Bolívia informou, neste domingo, que o número de pessoas mortas nos conflito no leste do país já atinge 28 e culpa a oposição pela violência, que levou a região ao estado de emergência. O ministro do Interior, Alfredo Rada, disse que mais 10 corpos foram encontrados na província de Pando, depois de uma "cilada" armada pelos apoiadores do presidente Evo.   O ministro já havia informado a morte de 16 pessoas anteriormente. Outras duas pessoas morreram na sexta-feira quando as tropas do governo abriram fogo para dispersar os manifestantes em um campo, próximo a capital de província de Pando.   No sábado, Evo acusou o governador de Pando, Leopoldo Fernandez, de usar assassinos estrangeiros nos ataques, "mercenários brasileiros e peruanos", o que teria levado o governo a enviar tropas para Pando e suspender os direitos de se reunir em público ou carregar armas na província, que busca autonomia. Evo disse também que não vai hesitar em estender o estado de sítio para as outras três províncias bolivianas que também buscam autonomia.   O governo ordenou ainda a prisão de Fernández, acusando-o de orquestrar as manifestações anti-Evo que levaram aos confrontos, segundo o governo. O governador negou estar associado à violência, dizendo que as mortes foram resultado de conflitos entre grupos rivais.   Com a tensão política aumentando no país mais pobre da América do Sul, o Chile pediu a realização de um encontro emergencial entre os líderes da América do Sul, na segunda-feira. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva já confirmaram sua participação na reunião.

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