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EUA apoiam apuração na Venezuela

Governo brasileiro diz buscar 'solução negociada' e evitar atritos entre OEA e Unasul

Denise Chrispin Marin e Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2010 | 09h53

Controle. Soldado venezuelano inspeciona veículos a poucos metros da Ponte Simon Bolívar, divisa com o território colombiano

BRASÍLIA - O porta-voz do Departamento de Estado, J. P. Crowley, declarou ontem que os EUA apoiam a proposta da Colômbia de criar uma comissão internacional para investigar a presença de 1.500 guerrilheiros colombianos na Venezuela. "Cremos que seria útil a participação internacional nesta investigação, que pode fazer-se por várias vias", disse Crowley. "A OEA é uma via. A Unasul seria outra."

 

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"Deve haver uma investigação. Acreditamos que a Venezuela tem a responsabilidade de responder com rapidez à importante informação apresentada ontem pela Colômbia", acrescentou o porta-voz.

 

Quase ao mesmo tempo, em Brasília, o governo brasileiro defendia uma "solução negociada" para a crise. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a auxiliares que o Brasil não deve confrontar OEA e está confiante num acordo depois da posse do novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, no dia 7.

 

Na tentativa de acalmar os ânimos, o assessor para Assuntos Internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia, embarcará para Caracas no dia 5, acompanhado do secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Néstor Kirchner. Os dois conversarão com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que também se reunirá com Lula no dia seguinte. De lá, a comitiva segue para a posse de Santos, em Bogotá.

 

Uma reunião de chanceleres da entidade sul-americana deve ocorrer na próxima semana, em atendimento a um pedido da Venezuela, para dar início às gestões de mediação.

 

Embora seja mais interessante para o Brasil que o impasse entre a Venezuela e a Colômbia se mantenha no âmbito da Unasul, Marco Aurélio negou que Lula vá bater nessa tecla. Ao menos por enquanto, não é essa a intenção do Planalto. Na prática, o governo pretende encontrar uma saída diplomática que evite melindres entre os países em atrito.

 

"Nós não queremos transformar isso num conflito entre a Unasul e a OEA", afirmou ao Estado o assessor do presidente. "Queremos uma solução negociada, no sentido de buscar o equilíbrio, e achamos que isso pode ser obtido a partir de agora, quando se aproxima a posse do novo governo da Colômbia." O Planalto acredita que o diálogo será "mais factível" com Santos, uma vez que a relação entre Chávez e o atual presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, está muito desgastada.

 

"Nós não estamos preocupados em buscar um bode expiatório", disse Marco Aurélio. "Estamos preocupados porque isso enfraquece a América do Sul, que tem como trunfo ser uma região de paz e não queremos que nada contribua para tisnar essa imagem." Principal interlocutor de Lula com países latino-americanos, Marco Aurélio insistiu em que não há disposição do governo, nem de Kirchner, de desafiar a OEA para emplacar a Unasul. "Não queremos favorecer a Venezuela e desfavorecer a Colômbia. Buscamos o acordo e, se tivermos possibilidade de obter a distensão antes da posse de Santos, será ótimo", argumentou ele.

 

Em Caetés (PE), onde participava de um evento do governo, Lula confirmou que pretende "encontrar uma forma de conversar" com Santos. "O que me parece mais estranho é que faltam muitos poucos dias para o companheiro Uribe deixe a presidência da Colômbia", declarou o presidente.

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