EUA consideram que as reformas em Cuba são 'cosméticas'

Casa Branca afirma que "punho de ferro ainda é muito visível na ilha" mesmo depois da posse de Raúl Castro

Agências internacionais,

18 de abril de 2008 | 11h56

Os Estados Unidos afirmaram nesta sexta-feira, 18, que as recentes reformas autorizadas pelo presidente cubano, Raúl Castro, são "cosméticas", e considera que "o punho de ferro ainda está muito visível na ilha". Esta é a primeira vez que a Casa Branca se refere às recentes reformas aprovadas por Raúl, como liberação da venda de produtos de consumo, como computadores e telefones celulares, e a eliminação da restrição que impedia os cubanos de se hospedarem nos hotéis da ilha.   Veja também: Cuba nega que 'mudanças' de Raúl sejam concessões   Citando "fontes próximas ao governo" cubano, o jornal espanhol El Pais afirmou que o governo do presidente de Cuba, Raúl Castro, iniciará em breve uma reforma que simplificará os trâmites de entrada e saída do país e permitirá que os cubanos viajem para o exterior sem necessidade de permissão específica das autoridades. O texto do correspondente do diário em Havana, Mauricio Vicent, assinala que a reforma já está decidida e só falta definir alguns detalhes para que comece a ser posta em prática, o que poderia ocorrer "nos próximos dias ou semanas".    "Não são uma verdadeira mudança, não são uma mudança fundamental", disse o diretor para os Assuntos do Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Dan Fisk. Em seu discurso para o Parlamento em 24 de fevereiro, antes de ser nomeado presidente, Raúl anunciou a eliminação imediata de proibições "simples", mas destacou que outras levariam mais tempo por necessitarem "mudanças em determinadas normas jurídicas", além de influir nas "medidas estabelecidas contra Cuba" por sucessivas administrações americanas. Havana acusa Washington de utilizar a questão imigratória com fins políticos e de propaganda - as últimas grandes crises entre os países tiveram este enfoque.   O jornal lembrou que a existência do chamado "cartão branco" - a autorização de saída do país, que custa o equivalente a cerca de 100 euros (cerca de R$ 260 reais) e pode demorar meses, sem que haja garantia de que vá ser concedida - foi muito criticada pela população no debate convocado no ano passado por Raúl. Outro requisito para viajar, a "carta-convite", também seria extinto, indicaram as fontes. Assim, os cubanos só necessitariam de um passaporte em vigor e do visto do país de destino para viajar ao exterior.   No entanto, o cartão branco continuaria sendo exigido de médicos, de recém-formados que ainda não tenham cumprido seu serviço social, de militares e de membros do governo com acesso a informações que afetem a segurança do Estado, acrescentou El País.   Como parte da reforma, seria prolongado o período que os cubanos podem ficar no exterior sem ter de voltar ao país ou perder seus direitos de cidadão. O prazo atual, de 11 meses, seria estendido provavelmente para 2 anos, assinalou o jornal, acrescentando ainda que os menores de idade poderiam sair com seus pais, algo que atualmente só é autorizado em casos excepcionais.   Na quinta, o jornal cubano Granma publicou alguns "conselhos úteis" aos motoristas de Cuba para que não caiam na "febre" dos celulares, agora que podem comprá-los livremente. "Desligue o celular enquanto dirige", "se precisar fazer um telefonema urgente, pare o carro", assinalou o jornal.

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