EUA criticam continuidade da 'ditadura Castro' em Cuba

Casa Branca cita rock e diz: 'não seremos enganados novamente; conheça o novo chefe; igualzinho ao velho'

Agências internacionais,

25 de fevereiro de 2008 | 14h14

Os Estados Unidos criticaram a eleição pelo parlamento cubano de Raúl Castro como o novo presidente de Cuba. O porta-voz do Departamento de Estado Tom Casey disse que o afastamento de Fidel não representa uma verdadeira transição política. Para o porta-voz, "a continuidade da ditadura da família Castro não é algo que gostaríamos de ver".  Cuba terá de fazer adaptações para se manter socialistaRaúl Castro afasta esperança de renovação em Cuba, diz 'NYT' Cuba mantém velha guarda no poder Raúl deve adotar mudanças econômicasRaúl diz que reduzirá Estado e manterá consultas a FidelLeia a cobertura completa sobre a sucessão de Fidel Após 49 anos, Fidel Castro renuncia à PresidênciaRaúl Castro torna-se guardião da revolução Ele mencionou a música Won't Get Fooled Again (Não Seremos Enganados Novamente), do grupo de rock The Who, durante o pronunciamento, para retratar a transição em Cuba. "É como a música do The Who, 'Não Seremos Enganados Novamente'. Conheça o novo chefe. Igualzinho o velho chefe." No domingo, ao suceder seu irmão, o novo presidente de Cuba, Raúl Castro, escolheu uma equipe de governo formada por aliados políticos e militares, consolidando assim seu poder e aplacando as esperanças de que o país comunista inicie um processo rápido de mudanças. Raúl e seu novo círculo administrativo, com membros eleitos pela Assembléia Nacional de Cuba, um órgão sem autonomia, são na maioria homens de idade que devem avançar lentamente em meio a esforços para reavivar a economia da ilha sem, no entanto, trair os ideais de Fidel. O antigo líder do país anunciou sua aposentadoria na semana passada. Sem mudanças radicais O nome mais próximo das reformas econômicas da década de 1990, Carlos Lage, foi preterido em favor de José Ramón Machado Ventura, um ideólogo comunista da linha-dura e amigo íntimo de Raúl, para ocupar o cargo de vice-líder do país. "Raúl optou por seus camaradas de longa data, com os quais mantém laços estreitos, em vez de realizar uma passagem brusca para a nova geração", disse Phil Peters, especialista em Cuba do Instituto Lexington, um grupo de pesquisa com sede nos EUA. Peters afirmou ter ficado surpreso com a escolha de Machado Ventura. Machado Ventura, 77, encarregado da organização do Partido Comunista, deve esfriar o debate sobre as dificuldades e as restrições enfrentadas pelos cubanos em meio a uma ineficiente economia estatal, em uma discussão que foi incentivada por Raúl. "Machado é conhecido pelas amarras ideológicas que atrela ao debate. Quanto a suas posições, Machado aproxima-se da velha guarda", disse Julia Sweig, especialista em Cuba no Conselho de Relações Exteriores, outro grupo de pesquisa dos EUA. Lage, 55, era apontado pela comunidade de empresários estrangeiros em Cuba como o favorito para ocupar o segundo cargo mais importante da ilha. Entre esses investidores, ele é considerado um defensor de uma abertura mais rápida da economia para as empresas privadas. "Essa é uma mensagem indicativa da manutenção do curso atual", afirmou o gerente de uma multinacional com negócios na ilha caribenha. "Mas esperamos que signifique que eles se consolidaram no poder e serão capazes de realizar reformas analisadas atualmente com vistas a aumentar a produtividade e os salários", disse o executivo estrangeiro. Se Machado estiver em sintonia com um programa de reformas, a escolha dele para vice-líder do país sinalizaria que Raúl garantiu um consenso a respeito de como avançar, disse Peters. O homem que Washington chama de "Fidel Light" alimentou esperanças entre alguns cubanos de que esses terão permissão para viajar ao exterior e para vender suas casas e carros. Em dezembro, Raúl afirmou que Cuba possuía "proibições excessivas". Em seu discurso de posse, anunciou que começaria a cancelar, nas próximas semanas, algumas restrições simples. O novo dirigente disse também que estudará uma "gradual e prudente" revalorização do peso cubano, usado para pagar os magros salários públicos, cuja média é de 15 dólares por mês. O objetivo é aumentar o poder de compra dos cubanos ao aproximar o valor do peso da moeda forte chamada CUC (peso cubano conversível) e usada para comprar bens de consumo. "Gradual e prudente" poderiam se transformar nas senhas do governo de Raúl enquanto ele tenta melhorar o padrão de vida dos cubanos sem desmantelar o sistema socialista que o irmão construiu e antes que a insatisfação popular aumente. "Raúl é um homem realmente pragmático. E para todos eles (os dirigentes cubanos) o relógio das necessidades mais básicas já começou a fazer tique-taque", afirmou Sweig.

Tudo o que sabemos sobre:
Fidel CastroRaul CastroEUACuba

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.