EUA dizem que constituinte boliviana promove democracia

Washington afirma que proposta constituicional de Evo Morales é um 'passo para a justiça social' no país

Agências internacionais,

11 de dezembro de 2007 | 13h47

O Departamento de Estado americano afirmou nesta terça-feira, 11, que considera que a reforma constitucional boliviana é um "passo importante para o avanço da democracia e a promoção da justiça social" nos país. Outros países como Brasil, Argentina, Venezuela já haviam apoiado a Carta proposta pelo presidente Evo Morales e rejeitada pelos governadores de oposição, que ameaçam instaurar um sistema autônomo de governo a partir de sábado. Evo pediu ainda uma trégua nas manifestações durante as festas de fim do ano. O governo dos Estados Unidos também lamentou o que considera como "manobras" para limitar a participação da oposição nos debates. "Vemos com preocupação o uso do processo por alguns partidos para aprofundar as divisões na sociedade boliviana", disse um porta-voz do governo americano. "As manobras recentes para limitar a participação e a discussão Assembléia Constituinte são lamentáveis". O texto foi aprovado cinco dias antes da data-limite para a entrega do projeto, na sexta-feira, numa sessão da qual não participaram parlamentares do principal partido opositor - o Podemos. O presidente da Bolívia, Evo Morales, havia antecipado, de surpresa, na noite de sábado, a votação final do texto, que depois da aprovação geral obtida em Sucre ainda precisava ser votado artigo por artigo. O projeto será submetido a uma consulta popular, em data a ser definida. Se aprovada, espera-se que a nova Carta passe a vigorar já no segundo semestre de 2008.  Na segunda-feira, Evo afirmou que vai "agüentar a conspiração" das oligarquias bolivianas e "internacional, liderada pelos EUA", ao defender a aprovação da nova Constituição de seu país. "Terei erros, mas não traições", ressaltou em entrevista coletiva em Buenos Aires, agradecendo o "apoio" de estadistas sul-americanos que participaram da posse de Cristina Kirchner na Presidência argentina. Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Honduras, Paraguai, Uruguai e Venezuela anunciaram sua "permanente solidariedade com o povo e o governo" da Bolívia, em meio ao conflito que cerca o projeto da nova Constituição boliviana. Além disso, afirmaram "a certeza" de que a Bolívia "conseguirá encaminhar a atual situação no marco do pleno respeito aos princípios democráticos", segundo uma declaração assinada pelos governantes dos nove países. Um dia depois dos governadores da oposição rejeitarem a nova Constituição da Bolívia, Evo pediu aos prefeitos de cinco dos nove Departamentos do país que promovem greves e protestos em suas regiões que aceitem uma trégua durante as festividades do final do ano, ao invés de incitar a autonomia e liderar a desobediência civil. Entre os mais de 400 artigos aprovados, estão a reforma do Legislativo, a criação das autonomias departamentais e indígenas, a eleição de juízes por voto universal, o estabelecimento de um forte controle estatal sobre a economia e uma única reeleição presidencial. "Acusaram-nos de buscar a reeleição indefinida, mas agora mostramos que não as coisas não são assim", disse Evo. A Constituinte não votou um artigo sobre a distribuição de terras, deixando a decisão sobre o tema para um plebiscito a ser realizado antes do referendo constitucional.

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