EUA dizem que 'escândalo da maleta' é caso de polícia

Governo americano responde acusações de Cristina Kirchner de que prisões do FBI têm componente político

Efe,

14 de dezembro de 2007 | 11h47

O secretário adjunto de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos, Thomas Shannon, afirmou que tudo que estiver relacionado ao "escândalo da maleta" encontrada com um venezuelano na Argentina, em agosto, deve ser investigado pela polícia, negando a declaração da presidente argentina, Cristina Kirchner, de que exista um componente político na acusação. Levada ao centro caso, apenas dois dias após tomar posse, Cristina defendeu-se na quinta da acusação de que recebeu dinheiro da Venezuela em sua campanha eleitoral. A estratégia adotada pela presidente é a de acusar os EUA de estar por trás de uma "operação de inteligência" para envolvê-la no escândalo da tentativa de contrabandear da Venezuela US$ 790 mil apreendidos numa mala. "Nosso Departamento de Justiça investiga vários indivíduos por violação das leis" e trata-se de "um caso policial" no qual se pretende "aplicar as leis dentro dos Estados Unidos", disse Shannon em entrevista coletiva em Brasília. O principal protagonista do escândalo da maleta é o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson, que levou o dinheiro para Buenos Aires num avião da estatal de energia argentina Enarsa, que também transportava altos executivos da estatal venezuelana PDVSA. O avião chegou na véspera do desembarque de Hugo Chávez em Buenos Aires. O caso esfriou as relações do governo do então presidente Néstor Kirchner com Chávez. O escândalo voltou à tona na quarta-feira, quando a Justiça dos EUA, em Miami, anunciou que quatro pessoas detidas pelo FBI (três venezuelanos e um uruguaio) confessaram que estavam preparando uma operação de acobertamento da origem do dinheiro. Eles foram detidos por atuar como agentes estrangeiros em solo americano.  O chefe do gabinete de Cristina, Alberto Fernández, reagiu irritado: "O fato de que para os EUA, a América Latina importe pouco é coisa que já comprovamos. Mas seu desprezo pela relação com a Argentina parece confirmar-se dia a dia. Isso não é algo que afete a presidente, mas que ofende a inteligência argentina." Fernández sugeriu que a atitude dos EUA relaciona-se com os projetos dos países da região e até com o seqüestro da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt - refém das Farc desde 2002, cuja libertação Cristina e outros líderes da região tentam negociar. "Os EUA são afetados não só pela relação da Argentina com a Venezuela, mas também pelo Banco do Sul, fundado no domingo, e nossa posição sobre Ingrid." "Estamos espantados com a atitude. Se os EUA querem saber a verdade, precisam habilitar a extradição" de Antonini Wilson à Justiça argentina. "É preciso que os EUA não o protejam mais e não o transformem numa vítima, pois ele é quem tem de prestar contas."  (Com Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo)

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