EUA e Colômbia não assinarão acordo em visita de chanceler

Pacto de bases militares já existe, mas consolidação só será realizada dentro de "mais algumas semanas"

Agência Estado e Associated Press,

18 de agosto de 2009 | 16h00

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermudez, não assinarão por enquanto um acordo bilateral de defesa, informou nesta terça-feira, 18, a chancelaria norte-americana.

 

Ian Kelly, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse a repórteres que os dois países estão "muito próximos" e "já existe um acordo em princípio", mas "ainda serão necessárias mais algumas semanas antes da assinatura". O comentário foi feito pouco antes de um encontro entre Hillary e Bermudez na capital norte-americana. Kelly disse que os dois também conversarão sobre o golpe de Estado em Honduras.

 

Pelo acordo, a Colômbia ampliaria o acesso de militares dos EUA a suas bases aéreas e navais por dez anos. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, qualifica o acordo como uma ameaça à segurança regional.

 

"Sem invasões"

 

O subsecretário de Defesa dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, Frank Mora, reiterou que "não vai haver nenhuma invasão" a países vizinhos a partir das bases colombianas que as forças americanas usarão no marco de um acordo militar bilateral.

 

"Não vai haver nenhuma invasão. Isso é uma desinformação que faz parte do 'anti-ianquismo' que não tem lugar hoje", afirmou Mora em entrevista em Washington à emissora colombiana La FM. Mora respondeu desta forma às acusações do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que ressaltou repetidamente que os Estados Unidos se preparam para "invadir" o país a partir de bases colombianas.

 

De acordo com Mora, "o papel dos Estados Unidos na Colômbia não vai mudar com este acordo", já que se trata de "institucionalizar muitas coisas que já estão ocorrendo". As negociações deste acordo entre Colômbia e EUA, que contempla o uso de até sete bases colombianas por parte de militares americanos para atividades antidrogas e de luta contra o terrorismo, foram concluídas na sexta-feira passada em Washington e agora só falta os dois governos assinarem.

 

Chávez foi o mais crítico a esse convênio, que despertou preocupação também entre outros líderes da região e levou a União de Nações Sul-americanas (Unasul) a convocar uma cúpula extraordinária de presidentes, que será realizada em Bariloche, sul da Argentina, no dia 28 de agosto. "Quando os (países) vizinhos virem detalhes do acordo, verão que isto não busca contribuir para nenhuma tensão na região", informou Mora.

 

O subsecretário também esclareceu que o convênio não significa "trocar Manta por outra base na Colômbia", em referência à saída dos EUA dessa base equatoriana a partir de onde o país organizou operações antidrogas nos últimos dez anos.

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