EUA e Cuba retomam debate sobre migração

Autoridades dos EUA e de Cuba realizaram na quarta-feira em Havana mais uma rodada de discussões sobre questões migratórias, ofuscada pelo caso de um norte-americano preso em Havana sob suspeita de espionagem.

MARC FRANK, REUTERS

12 de janeiro de 2011 | 17h57

Há pouca expectativa de progresso nas negociações, cujo foco é evitar um êxodo maciço de cubanos, mas que representam também o mais importante contato regular entre os dois governos, que não mantêm relações diplomáticas formais.

Essa foi a quarta reunião bilateral desde a posse de Barack Obama como presidente dos EUA, em 2009. A última havia acontecido em junho, quando os funcionários norte-americanos protestaram pela detenção do norte-americano Alan Gross, funcionário de um programa de ajuda ao desenvolvimento, em dezembro de 2009.

Diplomatas dos EUA dizem que o caso está impedindo as iniciativas de Washington para melhorar suas relações com o regime comunista cubano.

A delegação norte-americana é comandada pela secretária-assistente de Estado Robert Jacobson. O processo se baseia num acordo de 1994, com o qual os dois países buscaram evitar ondas desordenadas de migrações de cubanos para os EUA, como ocorreram em 1980 e 1994.

Nas últimas reuniões, Cuba pediu para enviar mais agentes consulares aos Estados Unidos, enquanto os EUA pressionaram pelo fim das restrições de viagens para diplomatas de ambos os lados.

Cuba espera também que os EUA suspendam sua política de concessão quase automática de asilo para cubanos que consigam chegar à costa norte-americana, o que Havana diz ser um estímulo à migração ilegal e perigosa.

O diálogo sobre temas migratórios foi retomado em julho de 2009, cinco anos depois de o ex-presidente George W. Bush, dos EUA, decidir cancelá-los.

Recentemente, os dois países começaram a negociar também a retomada de ligações postais diretas e a cooperação em alguns casos de narcotráfico internacional.

Mas Cuba se queixa de que pouca coisa mudou sob o governo Obama, que manteve as sanções a Havana e dá apoio a dissidentes cubanos.

Algumas autoridades cubanas dizem, reservadamente, que as relações devem continuar frias agora que o Partido Republicano conquistou a maioria na Câmara dos Deputados dos EUA. Um sinal disso seria o fato de que a Comissão de Relações Exteriores da Câmara será presidida pela deputada republicana Ileana Ros-Lehtinen, que é de origem cubana e faz críticas frequentes ao regime da ilha.

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