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EUA e OEA fazem apelo a Zelaya e Micheletti para acordo

Mediador da crise em Honduras apresentou última proposta, que não agrada partes; líder deposto prepara volta

AP, Efe e Reuters,

23 de julho de 2009 | 16h42

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pediu nesta quinta-feira, 23, ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e ao governo de facto de Roberto Micheletti que optem pela reconciliação e respondam "positivamente" e "logo" à nova proposta do presidente costarriquenho, Oscar Arias, mediador da crise. Os Estados Unidos também pediram às partes que aceitem a proposta, anunciada por Arias como sua última tentativa para resolver o impasse político.

 

"Todos os hondurenhos têm que refletir sobre o momento crucial que se vive. Uma resposta propícia abre caminho para a reconciliação e para o restabelecimento do funcionamento normal do regime constitucional. Uma rejeição abre caminho para o confronto. Não queremos este caminho", disse Insulza numa entrevista coletiva.

 

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Arias apresentou na noite de quarta um plano com 11 pontos que incluía a volta de Zelaya e anistia aos golpistas. Pela proposta, o líder deposto também fica impedido de mudar a Constituição, um fator que desencadeou a crise. O governo de facto se nega a aceitar qualquer plano que inclua a restituição de Zelaya. Segundo Arias, as duas partes devem buscar um novo mediador se não houver acordo.

 

Enquanto isso, Zelaya diz preparar sua volta a Honduras, mas a data para o retorno permanece incerta. Na tarde desta quinta, ele afirmou que no próximo sábado ou no domingo chegará à fronteira da Nicarágua com seu país, para tentar entrar em Honduras acompanhado dos compatriotas que se unirem a sua caravana.

 

"Vamos devagar, convidando hondurenhos, para chegar com um forte contingente de hondurenhos que nos acompanhem", disse o líder deposto à rede argentina de televisão Todo Noticias (TN). Suas declarações à TN parecem indicar um atraso em seus planos de volta, pois na quarta ele tinha informado, em entrevista coletiva, que viajaria nesta quinta ao norte da Nicarágua e na sexta estaria na fronteira do país com Honduras.

 

Zelaya afirmou nesta quinta que viajará da capital nicaraguense para "outro município", para depois iniciar o trajeto à zona fronteiriça de Honduras. "Não tive temor, mas sei que há ameaças de que, ao chegar, vão atirar em mim. Disseram-me que não faça isso, porque eles (que o expulsaram do país, em 28 de junho) estão dispostos a isso", disse.

 

O presidente deposto ratificou também que tem "todo o direito" de "atender o mandato" dado pelo "povo nas urnas", e considerou que "nem o povo de Honduras nem a comunidade internacional está apoiando" o golpe de Estado em seu país. "Eles só são apoiados pelos rifles", afirmou.

 

PRESSÃO POPULAR

 

Sindicalistas do setor público, professores e ativistas da Frente Nacional de Resistência contra o golpe de Estado de Honduras bloquearam nesta quinta várias estradas, dentro de uma manifestação para exigir o retorno de Zelaya. O movimento social que exige o retorno do líder deposto mantém mobilizações desde 28 de junho.

 

Os simpatizantes do presidente destituído preveem ir a uma zona fronteiriça com a Nicarágua para receber Zelaya, após ele dar como "fracassada" a mediação do presidente da Costa Rica em encontrar uma saída para o conflito. Zelaya previu dias atrás que sua "entrada em Tegucigalpa vai ser apoteótica". O governo de facto diz que o espera com uma ordem de prisão.

 

ALERTA

 

Ainda nesta quinta, o presidente da Bolívia, Evo Morales, expressou temor que a crise política em Honduras tenda a se agravar e possa levar a uma luta armada. "Eu penso que isto pode desembocar em uma luta armada e tenho muito medo", disse Evo a jornalistas.

 

"Se a direita e os oligarcas hondurenhos querem evitar qualquer levantamento armado ou uma guerrilha, não existe outra alternativa a não ser a renúncia do golpista", avaliou. Zelaya tentou voltar a Honduras no dia 5 de julho a bordo de um avião venezuelano, mas não foi permitida a aterrissagem em Tegucigalpa e a situação gerou manifestações que terminaram com a morte de um jovem pelos militares que faziam a segurança no aeroporto.

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