EUA: Eleição não será reconhecida sem acordo em Honduras

Enviado especial do Departamento de Estado Americano pressiona por solução da crise política

estadao.com.br,

29 de outubro de 2009 | 15h27

O subsecretário do Departamento de Estado dos EUA para a América Latina, Thomas Shannon, afirmou nesta quinta-feira, 29, em Tegucigalpa, que sem um acordo com Honduras, são pequenas as chances de que a comunidade internacional reconhecerá as eleições de 29 de novembro, segundo a agência AFP.

 

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"Sem acordo será difícil a comunidade interamericana apoiar as eleições", disse Shannon em uma entrevista coletiva. O enviado americano está em Tegucigalpa liderando uma delegação que busca impulsionar uma solução para a crise política do país centro-americano, que teve início em 28 de junho quando o presidente eleito Manuel Zelaya foi deposto por um golpe de Estado. Os militares o acusavam de violar a constituição ao tentar aprovar uma lei que lhe permitiria um terceiro mandato seguido.

 

"Sobre o diálogo nacional, o tempo está acabando, só temos um mês antes das eleições de 29 de novembro. Então, do ponto de vista dos EUA e da comunidade internacional, precisamos de um

acordo o mais rápido possível", declarou Shannon. "Por isso estamos aqui, porque cremos firmemente que com um acordo, Honduras pode usar o apoio da comunidade internacional de uma forma importante e útil", completou.

 

O governo de facto de Honduras espera que a realização das eleições seja a solução da crise. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, entretanto, afirmou que o pleito não pode normalizar a situação mo país.

 

O principal ponto de discórdia entre as delegações que negociam uma solução é a volta de Zelaya ao poder. O grupo do presidente deposto exige sua restituição incondicional e imediatamente, enquanto os representantes de Micheletti afirmam que o líder de facto deixará a presidência somente se Zelaya desistir de voltar ao poder.

 

Negociações

 

Nesta quinta-feira, as partes voltaram a negociar após darem os diálogos por encerrados na semana passada. Essa seria a última tentativa de se chegar a um acordo antes das eleições de novembro.

 

"Viemos para receber uma proposta", disse a jornalistas Víctor Meza, negociador de Zelaya, quando entrava no hotel onde ocorrem as negociações. Meza acrescentou que atendiam ao pedido da delegação encabeçada por Shannon e da OEA.

 

Rodil Rivera, negociador de Zelaya, disse a uma rádio local que, se a proposta do governo de facto na quinta-feira se ajustar às suas proposições, eles estão dispostos a firmá-la imediatamente. "Mantemos a esperança... de que efetivamente (a proposta do governo de facto) se enquadre dentro do acordo (de San José)," que considera a restituição de Zelaya, afirmou Rivera.

 

"Aceitamos a ida ao Congresso, aceitamos que esta pretensão seja um direito do peticionário, neste caso Zelaya, em sua pretensão de retornar à Presidência da República", disse a porta-voz da comissão de Micheletti, Vilma Morales, antes de entrar na reunião.

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