EUA elogiam libertação de presos cubanos, mas condenam seu envio à Espanha

Segundo Arturo Valenzuela, o melhor era que eles pudessem permanecer na ilha, se quisessem

AP e Efe,

12 de julho de 2010 | 23h32

SANTIAGO- O secretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos elogiou nesta segunda-feira, 12, a liberação de dissidentes cubanos que partiram para a Espanha, apesar de ter considerado que a opção de permanecer na ilha deveria ter sido oferecida.

 

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Em Santiago para uma breve reunião com presidente Sebastián Piñera, Arturo Valenzuela afirmou que a libertação dos presos deve ser destacada porque "representa um avanço, um passo positivo" até um sistema democrático.

 

"Tivéssemos desejado que estes (prisioneiros) tivessem tido a oportunidade de permanecer em seu país se assim o quisessem", acrescentou, qualificando de "100% positiva" a disposição chilena de acolher os dissidentes cubanos que queiram ir para o país.

 

Sete prisioneiros de um grupo de 20 que serão libertados em breve pelo governo cubano já partiram para a Espanha. Segundo um acordo firmado entre o governo da ilha, a Igreja Católica e o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, todos os 52 presos políticos remanescentes da Primavera Negra de 2003 serão libertados em até quatro meses.

 

Valenzuela também elogiou a atitude de muitos governos que esperam que "a situação de direitos humanos (em Cuba) melhore, que a cidadania tenha mais participação em eleições competitivas".

 

Ultraje

 

Elizardo Sánchez, porta-voz da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), criticou hoje a "ultrajante forma de enviar pessoas ao desterro", em alusão à partida dos sete presos políticos à Espanha.

 

"Saem do país de forma praticamente clandestina, como se fossem terroristas ou narcotraficantes", disse Sánchez a jornalistas no aeroporto José Martí, onde foi para ser testemunha da saída, sem sucesso, em nome do movimento de direitos humanos.

 

Segundo Sanchez, é evidente que houve "um acordo secreto entre os governos da Espanha e Cuba para que a notícia, o 'show', seja em Madri e não em Havana".

 

A opositora e blogueira Yoani Sánchez também criticou o que chamou de "exílio" em sua página no twitter. "Até quando ele será uma alternativa para os que pensam diferente?", se perguntou. "Vários amigos no aeroporto ficaram sem se despedir dos libertados. Os meteram no avião sem que fossem vistos", disse.

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