EUA enviam emissário para destravar crise em Honduras

Funcionário conversará com Micheletti e Zelaya, que se acusam mutuamente de quebrar o acordo de San José

Associated Press e Agência Estado,

10 Novembro 2009 | 16h33

O emissário dos EUA a Honduras para tentar encerrar o impasse político em Honduras chegou ao país nesta terça-feira, 10. "O sr. (subsecretário-adjunto para Hemisfério Ocidental Craig) Kelly procurará resolver os problemas que se apresentaram nas conversações que buscam trazer a paz ao país", afirmou o ministro da Informação do governo de facto, René Zepeda.

 

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Kelly deve se reunir com o presidente deposto, Manuel Zelaya, e com o presidente de facto, Roberto Micheletti. O funcionário deve permanecer em Honduras por dois dias, até esta quarta-feira.

 

Zelaya declarou o acordo firmado em 30 de outubro entre os grupos políticos rivais um fracasso. O líder deposto rechaçou o governo de reconciliação estabelecido por Micheletti no dia 5, e também se negou a enviar uma lista com nomes de ministros. Segundo Zelaya, é preciso primeiro haver sua volta ao poder, para então se organizar um governo de união.

 

Deposto em um golpe militar em 28 de junho, Zelaya adverte que as eleições gerais de 29 de novembro não serão reconhecidas, caso não se reverta o golpe e ele retorne ao poder. Zelaya está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa desde 21 de setembro, quando retornou de surpresa à cidade.

 

Já Micheletti notou, em nota enviada ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que o acordo não permite que nenhuma parte o abandone unilateralmente. Segundo ele, o pacto tem três pontos cruciais: o respaldo às eleições, a passagem do poder em 27 de janeiro para o novo governo e a normalização das relações com a comunidade internacional.

 

O Conselho Permanente da OEA se reunirá ainda nesta terça-feira, em Washington, para tratar da crise em Honduras.

 

O pacto prevê que o Congresso decida sobre o retorno ou não de Zelaya ao poder. Antes, os legisladores receberão informes de várias instituições, incluindo a Corte Suprema, para então tomar uma decisão. Não há, porém, data para a votação no Legislativo.

 

Um secretário da Câmara dos Deputados, Carlos Lara, disse que o órgão espera receber informes até no máximo o dia 17. Ele notou, porém, que não se pode estabelecer prazos a ninguém, "por se tratar de organismos autônomos". O deputado Ramón Velásquez, vice-presidente do Congresso, assegurou que não há data para tratar do caso de Zelaya.

 

Além da Corte Suprema, também devem se manifestar sobre o tema o Ministério Público, a Procuradoria-Geral e o Comissariado Nacional de Direitos Humanos.

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