EUA expulsam embaixador boliviano em represália a Evo

Presidente da Bolívia pediu a expulsão de embaixador americano, acusando-o de incentivar separatismo no país

Agência Estado e Associated Press,

11 de setembro de 2008 | 19h29

O governo dos Estados Unidos ordenou na noite desta quinta-feira, 11, a expulsão do embaixador da Bolívia nos EUA, em retaliação è expulsão do embaixador americano na Bolívia, ordenada ontem pelo presidente boliviano Evo Morales. Funcionários do Departamento de Estado do governo americano disseram que o embaixador boliviano Gustavo Guzmán foi convocado e informado que deverá deixar em breve os EUA, numa escalada das tensões políticas entre os dois países.   Veja também: Expulsão de embaixador foi 'grave erro', dizem EUA Após três dias, conflitos deixam 8 mortos na Bolívia Chávez ameaça 'apoio armado' à Bolívia se Evo for derrubado Entenda os protestos da oposição na Bolívia Enviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia  Imagens das manifestações     Mais cedo, o Departamento de Estado americano declarou que Evo cometeu um "grave erro" e que prejudicou "seriamente" a relação com os Estados Unidos ao ordenar a expulsão do embaixador norte-americano Philip Goldberg. "A ação do presidente Evo é um grave erro, que prejudica seriamente a relação bilateral", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, lendo um comunicado.   O ministro boliviano das Relações Exteriores, David Choquehuanca, disse nesta quinta-feira que o embaixador dos EUA Philip Goldberg tem 72 horas para deixar a Bolívia. "De acordo com os procedimentos diplomáticos, nesses casos há um prazo de 48 a 72 horas", afirmou o ministro durante entrevista coletiva.   Na quarta-feira, Evo anunciou a expulsão do embaixador Goldberg. "Eu pedi a nosso chanceler que envie ao embaixador uma mensagem informando-o da decisão do governo nacional e do presidente de que ele precisa retornar ao seu país", afirmou o presidente em um discurso no Palácio Quemado, em La Paz.   O líder boliviano acusa o governo dos Estados Unidos de fomentar o separatismo no país, aprofundando a crise boliviana. Segundo Morales, Goldberg conspirou várias vezes com a oposição boliviana. A gota d'água teria sido uma reunião do embaixador americano, na semana passada, com o governador do departamento (estado) de Santa Cruz, Rubén Costas, um dos mais ferrenhos opositores a Evo.   Washington negou qualquer ação nesse sentido, considerando as declarações "sem fundamento". Evo expulsou o embaixador no mesmo dia em que uma explosão em um gasoduto no sul do país prejudicou o envio de gás ao Brasil. O governo qualificou o ato como um "atentado terrorista" e culpou a oposição.   McCormack disse que Washington ainda não decidiu como responderá à expulsão do embaixador, mas "considera todas as opções, considerando a nossa amizade."

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