EUA expulsam embaixador venezuelano de Washington

Departamento de Estado diz que atos de Evo e Chávez são reflexo de fraqueza e desepero diante de desafios

Agências internacionais,

12 de setembro de 2008 | 12h13

O Departamento de Estado americano afirmou nesta sexta-feira, 12, que o embaixador da Venezuela em Washington será expulso em represália à ordem do presidente Hugo Chávez para que o embaixador americano deixe o país em 72 horas. O porta-voz Sean McCormack disse ainda que a medida adotada pelos presidentes da Venezuela e da Bolívia, Evo Morales, é reflexo da fraqueza e do desespero destes líderes em enfrentar desafios internos.   Veja também: Governo boliviano propõe diálogo com oposição EUA expulsam embaixador da Bolívia Chávez expulsa embaixador dos EUA da Venezuela Conflito deixa 8 mortos e Evo diz que 'paciência tem limite' Lula expressa apoio a Evo diante da crise na Bolívia Entenda os protestos da oposição na Bolívia Enviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia  Imagens das manifestações     Na noite de quinta, Chávez ameaçou mais uma vez suspender a distribuição de petróleo ao Estados Unidos e ordenou que o embaixador americano, Patrick Duddy, deixasse o país em 72 horas, em um ato de solidariedade com a Bolívia, que também ordenou a expulsão do seu embaixador americano. Além de expulsar o embaixador venezuelano, os EUA responderam nesta manhã também com o bloqueio dos bens do ex-ministro do Interior e Justiça venezuelano Ramón Rodríguez Chacín e dois altos funcionários desse país em sua "lista negra" de pessoas envolvidas no tráfico de drogas devido a seu suposto apoio às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo McCormack, estas sanções já tinham sido decididas antes e não estão vinculadas com a expulsão do embaixador Álvarez.   Hugo Chávez afirmou que tomará uma ação militar se o presidente da Bolívia Evo Morales for derrubado, após destacar a recente chegada de dois caças-bombardeiros russos à Venezuela. "Se houver uma agressão contra a Venezuela", vinda de Washington, "não haverá petróleo para os norte-americanos", prosseguiu Chávez. "A começar deste momento, o embaixador ianque em Caracas tem 72 horas para deixar a Venezuela", disse Chávez durante um discurso público, na cidade de Carabobo, referindo-se ao embaixador Patrick Duddy. "Basta, ianques", disse Chávez. A porta-voz da embaixada americana, Robin Holzhauer, afirmou que Duddy está há alguns dias nos Estados Unidos, sem dar detalhes sobre o motivo.   Os EUA, por sua vez, declararam nesta quinta-feira o embaixador da Bolívia em Washington como "persona non grata", ou seja, expulsaram o diplomata em retaliação. O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou o embaixador americano Philip Goldberg de conspirar junto com a oposição.   O discurso de Chávez, no qual anunciou a expulsão, foi transmitido pela televisão estatal venezuelana. Ele fez o anúncio apenas algumas horas após dizer que seu governo deteve um grupo de ex-oficiais das forças armadas que conspirava para assassiná-lo, com apoio dos EUA. Ele não ofereceu provas das acusações. O governo dos EUA sempre negou as acusações de Chávez, de que Washington apoiou conspirações contra o mandatário da Venezuela. No mês passado, Chávez alertou que Duddy poderia em breve "fazer as malas" após o diplomata ter lamentado que os policiais americanos e venezuelanos não estavam cooperando na luta contra as drogas.   Ligação com as Farc   Os EUA acusaram três membros do governo de Chávez de tráfico de drogas e de armas por ligação com as Farc. Os bens do ex-ministro do Interior e Justiça venezuelano Ramón Rodríguez Chacín e dois altos funcionários: Hugo Armando Carvajal Barrios, diretor do serviço secreto militar do país sul-americano, e Henry de Jesús Rangel Silva, diretor da polícia secreta Disip. Chacín, que renunciou em 8 de setembro do ano passado, é acusado de ser o principal contato do governo da Venezuela com as Farc em matéria de armas.   Adam Szubin, diretor do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro americano, afirmou em nota que os três "armaram, ajudaram e financiaram as Farc, inclusive enquanto o grupo aterrorizava e seqüestrava inocentes". Além de terem os bens bloqueados, eles estão proibidos de negociar com qualquer americano, efetuar transações comerciais nos EUA.   Chacín é um homem de confiança de Chávez, e apoiou sua tentativa de golpe de Estado em 1992. Quando Chávez chegou ao poder, em 1999, passou a fazer parte da missão venezuelana como observador para as negociações do governo colombiano com as Farc. O Tesouro americano afirmou que o ex-ministro teve vários encontros com líderes da guerrilha, inclusive um deles no Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, no fim de 2007.

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