EUA foram 'arrogantes' sobre troca de prisioneiros, diz Fidel

Em novo artigo, ex-presidente cubano ainda chama OEA de "repugnante" e "instrumento odioso" de Washington

Ansa e Efe,

24 de abril de 2009 | 12h33

O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou, em um novo artigo, que os Estados Unidos reagiram com "arrogância" à oferta do mandatário, Raúl Castro, de trocar presos, e negou novamente a possibilidade de Cuba retornar à Organização dos Estados Americanos (OEA). Em um artigo publicado na quinta-feira, 23, em sua coluna "Reflexões do Companheiro Fidel", o ex-presidente retomou a proposta de Raúl Castro, de trocar presos políticos em Cuba por cinco cubanos detidos nos Estados Unidos.

 

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Íntegra do artigo no site Cubadebate (em espanhol)

 

Os mais de 50 presos em Cuba são considerados "políticos" por Washington, que pede suas libertações, enquanto os cinco cubanos - os "heróis antiterroristas" de Havana - foram condenados pela justiça norte-americana sob a acusação de espionagem. Na publicação, Fidel retrata os detidos na ilha como "traidores", que se submeteram aos "Estados Unidos, que ao longo de quase meio século, estão agredindo e bloqueando nossa pátria".

 

Perante "um suposto gesto de Obama, que oferecia conversar com Cuba sobre democracia e direitos humanos, (Raúl Castro) lhe respondeu que o governo de Cuba estava disposto a discutir qualquer tema com ele", diz o ex-governante. "Entre as demandas de Obama está a libertação dos sancionados a prisão por seus serviços de traição aos Estados Unidos, que ao longo de quase meio século vêm agredindo e bloqueando nossa pátria", acrescenta Fidel Castro, qualificando assim as duas centenas de presos políticos.

 

"Raúl declarou que Cuba estava disposta a exercer clemência se os Estados Unidos os recebesse e colocasse em liberdade os cinco heróis antiterroristas cubanos", continua o ex-presidente, se referindo aos agentes de Havana presos nos EUA por espionagem. Fidel Castro assegura que perante essa proposta de seu irmão, "tanto o Governo dos Estados Unidos como a gusanera (como são chamados os dissidentes) dentro e fora de Cuba, reagiram com todo tipo de arrogância".

 

Sobre a OEA, o ex-mandatário que está há cerca de dois anos afastado do poder e desde então não aparece em público considerou "ridículo" o objetivo do secretário-geral do órgão, José Miguel Insulza, de eliminar a moção que permitiu a exclusão de Cuba nos anos 60. O artigo, intitulado "Pôncio Pilatos lavou as mãos", afirma que então o secretário da desprestigiada organização começou a preparar o terreno para a participação de Cuba em uma eventual futura Cúpula das Américas. Acrescenta que a "receita" de Insulza é derrogar a resolução de quase meio século atrás que decidiu suspender a ilha "por razões ideológicas", argumento que o ex-presidente qualifica de "absolutamente risível".

 

"Os fatos históricos demonstram a política hegemônica dos Estados Unidos em nossa região e o papel repugnante da OEA como odioso instrumento do poderoso país", continuou o líder cubano, que considerou que a solução de Insulza é simplesmente "apagar do mapa o criminoso acordo". Insulza, por sua parte, afirmou que a organização é contra as sanções impostas contra Cuba e qualificou como "obsoleta" a resolução de 1962, que suspendeu a ilha, afirmando que esta deveria ser abolida.

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