EUA não abrem mão de bases na Colômbia; Lula recebe hoje Uribe

Enviado de Obama diz que acordo militar visa a combater as Farc e o narcotráfico; Chile apoia Bogotá

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

06 de agosto de 2009 | 09h08

O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general Jim Jones, disse ontem em Brasília que os Estados Unidos não recuarão da negociação com o governo da Colômbia para a utilização de sete bases militares colombianas.

 

Em entrevista ao Estado, o enviado do presidente americano, Barack Obama, defendeu que o acordo entre os EUA e a Colômbia na área militar não significa uma "mudança dramática da posição" de ambos os países em torno do combate ao narcotráfico e à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

 

Jones insistiu que se trata de "um negócio como outro qualquer", em um esforço para evitar que o governo brasileiro se deixe levar pelos argumentos presentes nos discursos de líderes da América do Sul que têm diferenças com os Estados Unidos.

 

"O acordo não traz uma revisão de política, não (é) uma mudança dramática de posição. É o mesmo que nós já fizemos no passado. Talvez, apenas necessite de uma melhor explicação", afirmou Jones (leia a íntegra da entrevista nesta página).

 

O enviado de Obama recebeu, nos últimos dois dias, uma reação pouco amigável de colaboradores diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao acordo, que prevê a presença de 800 soldados americanos em sete bases militares da Colômbia por um período de dez anos, além de 600 civis.

 

Ontem, depois de tratar do tema com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o enviado da Casa Branca disse que a posição brasileira não deverá afetar o relacionamento entre os dois países no futuro.

 

Visita

 

Hoje, em Brasília, o presidente Lula receberá a visita de Álvaro Uribe, presidente da Colômbia. No encontro, ambos devem debater o acordo sobre a cessão de bases colombianas para as forças americanas.

 

Lula havia dito na quinta-feira, em São Paulo, que a nova etapa da cooperação militar entre Washington e Bogotá deveria ser discutida pelos 12 países-membros da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) em seu próximo encontro, marcado para o dia 10, em Quito, no Equador.

 

Na ocasião, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, concordou com Lula, mas ontem, ao receber Uribe em Santiago, disse que a decisão que for tomada pela Colômbia será respeitada pelo Chile.

 

Uribe - que, na semana passada, anunciou que não irá ao encontro da Unasul - está visitando, desde terça-feira, 6 dos 12 países que compõem o bloco para explicar o acordo com os EUA.

 

As visitas tiveram início na terça-feira, em Lima, no Peru, onde o presidente colombiano recebeu apoio de seu colega Alan García. Em seguida, ele foi a La Paz conversar com o presidente Evo Morales, que - como a Venezuela e o Equador - se opõe fortemente às bases americanas na região.

 

Depois de visitar o Chile, Uribe ainda passaria ontem pela Argentina e pelo Paraguai, antes de se dirigir ao Uruguai e ao Brasil. O presidente colombiano avisou que não dará declarações à imprensa, para evitar que a polêmica em torno das bases cresça ainda mais. Depois das reuniões, ele tem se resumido a agradecer pela oportunidade de diálogo e classificar os encontros como positivos.

 

Com AP e AFP

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