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EUA não têm moral para questionar luta antidrogas, diz Evo

Após críticas, presidente boliviano desafia Washington a apresentar seus resultados no combate às drogas

Efe,

16 de setembro de 2009 | 18h52

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta quarta-feira, 16, que os Estados Unidos "não têm autoridade nem moral para questionar" a luta contra o narcotráfico no país. Em entrevista coletiva em La Paz, o chefe de Estado também desafiou Washington a apresentar os resultados dos EUA no combate às drogas. As declarações de Evo foram uma resposta ao Departamento de Estado americano, que, além de incluir a Bolívia entre as nações que produzem drogas ou são usadas como plataforma para o tráfico, disse que o país não demonstrou "de maneira comprovável" seu respeito aos acordos internacionais contra o narcotráfico.

 

O presidente boliviano defendeu seu governo dizendo que este tem um "compromisso de luta frontal" contra as drogas, apesar de os "EUA já não darem dinheiro como antes" e das "dificuldades" enfrentadas pelos agentes antinarcóticos, como a falta de equipamentos. Segundo Evo, entre janeiro e setembro de 2009, 19,4 toneladas de cocaína foram apreendidas na Bolívia, bem mais que as 11 toneladas confiscadas ao longo de todo o ano de 2005.

 

Além disso, a racionalização e a erradicação dos cultivos de folha de coca já se estenderam a 4.425 hectares dos 5.000 prometidos, destacou o presidente. Evo fez questão de ressaltar que todas as operações, inclusive aquelas que levaram à destruição de vários laboratórios, foram realizadas sem a presença do DEA, o departamento antinarcóticos dos EUA, expulso da Bolívia no fim do ano passado.

 

"Tenho quase toda certeza, embora não tenha provas, de que o DEA sabia desses laboratórios. Mas eles, às vezes, intervinham quando lhes era conveniente", acrescentou. Em outro momento da entrevista, o governante minimizou a importância dos certificados concedidos pelos EUA às nações que fazem um bom trabalho combatendo as drogas, já que o país emite estes documentos apenas "quando convém."

 

No entanto, Evo perguntou porque ninguém emite certificados sobre o aumento ou a queda da demanda dos americanos por drogas. "Porque, enquanto houver procura, haverá oferta", destacou. "Enquanto houver mercado para a cocaína, por mais que reduzamos as plantações de folha de coca, uma parte sempre será desviada. Essa é nossa realidade", afirmou. "Também gostaríamos de saber se há luta contra o narcotráfico dentro dos Estados Unidos", acrescentou Evo, que cobrou "maior corresponsabilidade entre todos os países."

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