EUA não vão se sobrepor a Minustah no Haiti, diz adido militar

Segundo coronel Willie Berges, militares tomaram controle de aeroporto a pedido do governo haitiano

Luiz Raatz, estadao.com.br

17 de janeiro de 2010 | 13h28

O adido militar do Comando Sul do Exército americano em Brasília, coronel Willie Berges, disse em entrevista ao estadao.com.br que a função dos militares americanos em Porto Príncipe não é se sobrepor às exercidas pela Missão de Paz da ONU para Estabilização do Haiti (Minustah), chefiada pelo Brasil, e que o Comando Sul, junto com o departamento de Estado e com a agência de ajuda do governo americano (USAID) é facilitar a entrega de auxílio humanitário ao país, zelar pela segurança de equipamentos, remédios e mantimentos e ajudar cidadãos americanos que vivem no Haiti. Leia a entrevista:

 

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Qual está sendo hoje o papel do Exército americano em Porto Príncipe?

Exatamente, nós estamos agora mesmo apoiando o governo do Haiti. Primeiro na área de buscas e resgate e ajudando na área médica e de transporte. Nós também estamos ajudando os 45 mil americanos no Haiti.

Com o aeroporto de Porto Príncipe destruído, vocês estão coordenando a chegadas dos aviões?

Para respeitar a soberania do Haiti, só tínhamos o controle do aeroporto ontem à noite. Recebemos o controle do governo do Haiti, que outorgou o controle por um tempo limitado.

Na questão da segurança, esse efetivo militar que o presidente Obama falou que ia mandar para o Haiti vai ter uma função de segurança ou de distribuição de ajuda?

A maioria é de ajuda. A segurança é de responsabilidade da Minustah. Vamos apoiá-los e trabalhar com eles. Mas a maioria do efetivo é de buscas, transporte, logística. Estamos trabalhando em conjunto com a Minustah e com o governo do Haiti

 

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A gente tem recebido relatos do Haiti que está havendo problemas de logística pra desembarcar esta ajuda e distribuir. Qual o papel dos EUA nisso? Tem um comando central de logística no Haiti hoje?

O subcomandante do Comando Sul está centralizando tudo. Mas nas primeiras horas o controle do aeroporto ainda era haitiano. Agora temos um processo mais eficiente. Deixando aviões que entrem que tenha prioridade. Por exemplo, um avião médico.

Como estão sendo tomadas as decisões entre a Minustah, o governo do Haiti e os EUA?

Na área militar, temos muita cooperação militar com os brasileiros no Haiti. Por isso vamos trabalhar juntos. O comando sul conversa com a Minustah e o governo do Haiti fala com o departamento de Estado e com a ONU e em todas as decisões importantes o governo do Haiti é consultado. Por isso a resposta ficou um pouco confusa porque não íamos tomar controle do aeroporto sem autorização.

 

O chefe do Estado Maior do Brasil no Haiti disse hoje que o Brasil deveria pedir pra ONU definir qual o papel de cada um ali no Haiti. Qual a sua opinião?

As Nações Unidas estão falando com os EUA sobre a prioridade de cada um. O ministro Jobim já falou sobre as prioridades que ele identificou para o Brasil. Para nós a prioridade, é óbvio, é a ajuda e não duplicar esforços com a Minustah. Estamos priorizando a área médica, transporte e logística, comida e água, para que chegue mais rápido. E em segurança dessas coisas. As tropas vem para segurança do equipamento e de cidadãos americanos.

 

 

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