EUA oferecem asilo a presos cubanos que não queiram ir à Espanha

Opção, no entanto, foi criticada por familiares por ser muito mais demorada, podendo levar meses

Efe,

20 de julho de 2010 | 17h30

HAVANA- A Seção de Interesses dos Estados Unidos em Havana (SINA) recebeu nesta terça-feira, 20, familiares de presos políticos do Grupo dos 75 para explicá-los sobre a opção de refúgio que podem escolher quando forem libertados, mas não ofereceu facilidades adicionais ao procedimento.

 

Veja também:

linkDissidentes deixam Cuba até sexta

link'Essas pessoas são criminosas', diz castrista

blog Fariñas: 'Temos de aproveitar a janela'

especialEntenda a crise dos presos políticos de Cuba

lista Veja lista dos 52 presos políticos

 

Ao menos seis mulheres de dissidentes compareceram hoje ao Escritório de Refugiados da SINA, após terem sido convidados por funcionários americanos para serem informadas de que os presos podem optar por viver nos Estados Unidos.

 

Berta Soler, integrante do grupo Damas de Branco - formado por parentes dos opositores presos durante a Primavera Negra de 2003 - disse a jornalistas que os presos que não queiram ir à Espanha têm a possibilidade desse programa de refugiados "com os mesmos mecanismos" que têm todos os cubanos que fazem essa opção.

 

"É uma informação boa porque muitos homens ou alguns que não querem ir para a Espanha, dizem que querem ir diretamente para os Estados Unidos. Mas realmente não podem ir da prisão para os Estados Unidos", disse Soler.

 

Sofía García, esposa do opositor José Miguel Martínez, disse que para eles a opção oferecida pelos Estados Unidos é "muito remota" e "muito demorada", pois o trâmite para o plano de refugiados poderia demorar mais de um ano e não oferece as mesmas vantagens de saída do país para os familiares incluídos no acordo entre os governos de Cuba e Espanha.

 

Além disso, Sofía disse que teme que o governo cubano, após uma espera de meses, não os deixe sair da ilha "depois que o trato com a Espanha seja encerrado".

 

Segundo fontes da SINA confirmaram hoje à Efe, estas reuniões continuarão durante toda a semana com o objetivo de "oferecer orientação sobre as opções consulares para entrar nos EUA", e podem ser solicitadas por qualquer familiar interessado.

 

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, explicou em entrevista coletiva que funcionários dos Estados Unidos realizam "regularmente" esse tipo de reuniões.

 

No entanto, reconheceu que por causa do anúncio da libertação gradual de 52 presos políticos cubanos, o Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana "está se reunindo individualmente com famílias, simplesmente para revisar a situação atual e talvez conhecer seus planos particulares e preferências" com relação ao futuro.

 

Crowley ressaltou que os EUA destacarão nas reuniões que o governo do presidente Barack Obama espera que "Cuba liberte todos os presos políticos como parte do processo".

 

No último dia 8, um dia depois do anúncio das libertações, o porta-voz adjunto do Departamento de Estado americano, Mark Toner, não descartou que o país possa acolher alguns deles.

 

Ao ser perguntado se os presos libertados seriam bem-vindos em território americano, Toner respondeu taxativamente: "claro". No entanto, insistiu que aqueles que desejam ficar em seu país devem poder fazê-lo.

 

Em Genebra, onde assiste a uma reunião internacional, o presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, afirmou hoje que pode haver mais libertações e que os libertados, se desejarem, poderão permanecer na ilha, segundo informou à Efe a Missão permanente de Cuba ante as Nações Unidas e organizações internacionais.

 

Na semana passada, a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) divulgou que ao menos dez presos políticos não querem abandonar Cuba quando forem libertados.

 

O governo de Cuba anunciou no início do mês que libertaria 52 presos políticos em um prazo máximo de quatro meses como resultado do processo de diálogo aberto com a Igreja Católica cubana e apoiado pela Espanha.Os dissidentes presos são os remanescentes dos 75 presos na onda repressiva da Primavera Negra de 2003. Eles cumpriam até 28 anos de prisão.

 

Já foram enviados à Espanha 11 dissidentes cubanos. Entre quarta e sexta, mais oito prisioneiros devem chegar a Madri. O governo confirmou que a primeira libertação inclui um grupo de 20 presos que, consultados pela Igreja Católica, aceitaram viajar à Espanha após sua libertação. Os outros serão libertados em até quatro meses.

 

Atualizado às 19h57 para acréscimo de informações

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.