EUA querem controlar recursos econômicos de Bogotá, diz Fidel

Líder cubano afirma que combate às drogas é pretexto para controlar os recursos econômicos

Efe,

10 de agosto de 2009 | 12h01

O líder e ex-presidente de Cuba Fidel Castro disse nesta segunda-feira, 10, que os argumentos utilizados para o estabelecimento de sete bases militares dos EUA na Colômbia é um insulto à inteligência e assegurou que o verdadeiro objetivo dos americanos é o controle dos recursos econômicos, o domínio dos mercados e a luta contra as mudanças sociais. Segundo seu novo artigo, as instalações poderão ser usadas para agredir outros países latino-americanos.

 

Veja também:

linkO artigo de Fidel Castro na íntegra (em espanhol)

 

Para Castro, os argumentos dos governos envolvidos no acordo são "um insulto à inteligência", porque o verdadeiro objetivo é o controle dos recursos econômicos, o domínio dos mercados e a luta contra as mudanças sociais".

 

"A história não perdoará os que cometem essa deslealdade contra seus povos, nem os que utilizam como pretexto o exercício da soberania para cooperar com a presença das tropas ianques", disse o ex-presidente em seu artigo, divulgado pela imprensa oficial de Cuba.

 

"A que soberania se referem? À conquista de Bolívar, Sucre, San Martín, O'Higgins, Morelos, Juárez, Tiradentes, Martí? Nenhum deles jamais aceitaria tão repudiáveis argumentos para justifica a concessão de bases militares às Forças Armadas dos EUA", acrescentou.

 

Castro também adverte que "seria uma grande tragédia" se Washington utilizar as bases colombianas "para provocar um conflito armado entre os povos irmãos".

 

Segundo o líder, "as forças armadas ianques poderiam promover uma guerra suja como fizeram na Nicarágua e até empregar soldados de outros países treinados por eles para atacar algum país, mas dificilmente o povo combativo, valente e patriótico da Colômbia se deixe levar pela guerra contra um povo irmão como o da Venezuela".

 

"Se enganam os imperialistas que subestimam igualmente aos demais povos da América Latina. Nenhum deles estará de acordo com as bases militares ianques, nenhum deixará de ser solidário com qualquer povo latino-americano agredido pelo imperialismo", acrescenta.

 

Por outro lado, Castro nega a ideia de que o acordo se justifique pela luta contra o narcotráfico e disse que "o império não livra a luta contra as drogas dentro de suas fronteiras". "A luta contra as drogas é um pretexto para estabelecer essas bases militares em todo o hemisfério. Desde quando os aviões modernos servem para combater as drogas?", pergunta o ex-presidente, que completa 83 anos no próximo dia 13.

 

"Como consequência pela da guerra iniciada pelo narcotráfico, na qual o México envolveu 36 mil soldados, quase 4 mil mexicanos foram mortes em 2009, argumenta o cubano na parte final de seu artigo.

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