EUA revogam 4 vistos diplomáticos do governo de Honduras

Departamento de Estado afirma que decisão é resposta ao golpe de Estado que derrubou Manuel Zelaya

28 de julho de 2009 | 15h14

Os Estados Unidos estão revisando os vistos diplomáticos de membros do novo governo de Honduras e os de suas famílias, e já revogou quatro deles, como resposta ao golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya, informou a Casa Branca. O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly, disse nesta terça-feira, 28, em sua entrevista coletiva diária, que estes quatro vistos de pessoas que trabalham para o novo Governo de Roberto Micheletti em Honduras foram revogados entre pela Embaixada dos EUA em Tegucigalpa.

 

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O porta-voz explicou que os EUA estão "fazendo tudo o que pode para apoiar o processo" de mediação do presidente costarriquenho, Oscar Arias, e seus esforços de negociação. A medida do Departamento de Estado aumenta a pressão sobre o governo Micheletti para que aceite a proposta de Arias, que, entre outros aspectos, contempla a formação de um governo de unidade e reconciliação nacional, o adiantamento das eleições e uma anistia geral para os crimes políticos. O Governo dos EUA decidiu também revisar os vistos diplomáticos depois que Zelaya pediu ao presidente Barack Obama que tome medidas concretas contra os responsáveis pelo golpe de Estado.

 

Segundo o porta-voz, a Casa Branca "está atualmente revisando os vistos diplomáticos do tipo A de pessoas que são membros do governo de fato de Honduras, assim como os vistos concedidos a membros das famílias dessas pessoas". Os quatro vistos que foram cassados foram concedidos a pessoas que ocuparam posições antes do golpe de Estado de 28 de junho passado, sob o governo do deposto presidente Manuel Zelaya, mas que agora trabalham para o Executivo de Michelleti.

 

O porta-voz não quis revelar os nomes das pessoas que tiveram o visto diplomático retirado se amparando em que a informação sobre vistos é "confidencial", nem quantos vistos estão sendo reavaliados. Kelly disse que o governo dos EUA tomou a decisão porque não reconhece Roberto Micheletti como presidente de Honduras. "Reconhecemos Manuel Zelaya, e em linha com nossa política de não reconhecimento (do Governo de fato), decidimos revogar os vistos diplomáticos, ou vistos 'A', de quatro pessoas que são membros desse regime", explicou.

 

As autoridades de Honduras permitiram que a família do presidente deposto Manuel Zelaya viaje à Nicarágua para se reunir com o líder, vários dias após permanecer em um ponto localizado a vários quilômetros da fronteira. Zelaya, que completa nesta terça um mês fora do poder e expulso do país, deixou o município nicaraguense de Ocotal, perto da fronteira com Honduras, em direção às montanhas da Nicarágua para organizar uma "resistência", informaram os colaboradores do líder.

 

O presidente deposto, que na sexta-feira tentou sem sucesso entrar pela segunda vez em Honduras, ressaltou na véspera que se manterá em "pé de luta" e à espera da família e de mais seguidores que o acompanhem em seu retorno ao país para retomar o poder após o golpe de Estado de 28 de junho.

 

A oposição nicaraguense intensificou suas ações de resposta às atividades do presidente hondurenho deposto. O governo interino estendeu pelo quinto dia o toque de recolher na região da fronteira com a Nicarágua, onde seguidores de Zelaya esperam por uma nova tentativa de retorno do líder deposto.

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