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EUA têm culpa pela violência no México, diz Hillary Clinton

No país, secretária de Estado responsabiliza apetite 'insaciável' dos americanos por drogas por mortes do tráfico

Agências internacionais,

25 de março de 2009 | 17h46

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse na quarta-feira que o apetite "insaciável" dos EUA por drogas ilegais tem grande parte da culpa pela violência que assola o México. "Somos (culpados). Como pode alguém concluir qualquer coisa diferente?", disse Hillary, respondendo à pergunta de um jornalista, durante o voo que a levou para uma visita de dois dias ao México, que deve ser dominada pela violência ligada às drogas, responsável pela morte de 6.300 pessoas no ano passado no México.

 

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Nesta semana, Washington anunciou planos para melhorar a segurança na fronteira, pois há temores de que a violência no país vizinho se espalhe para o sul dos EUA. "Nossa demanda insaciável por drogas ilegais alimenta o comércio das drogas. Nossa incapacidade de impedir que armas sejam ilegalmente contrabandeadas através da fronteira para armar esses criminosos causa a morte de policiais, soldados e civis", disse Hillary. "Sinto muito fortemente que temos uma corresponsabilidade."

 

Hillary afirmou que há interesse dos dois países em criar um escritório comum em território mexicano

para coordenar ações conjuntas contra o narcotráfico. Em entrevista coletiva com a ministra das Relações Exteriores mexicana, Patricia Espinosa, a secretária afirmou também que os Estados

Unidos entregarão ao México mais US$ 80 milhões para a compra de helicópteros destinados à luta contra o crime organizado.

A chefe da chancelaria americana se reuniu ainda com o presidente Felipe Calderón para discutir vários assuntos bilaterais, inclusive migração e comércio. Na quinta-feira, ela fará uma escala em Monterrey, importante centro econômico do norte do México. A secretária afirmou que o governo Obama está avançando na resolução da disputa envolvendo o tráfego binacional de caminhões, e espera que o Congresso norte-americano seja receptivo às suas propostas.

Ela também se referiu à opinião, difundida no México, de que os EUA não estariam assumindo suficiente responsabilidade pela droga que entra no país pela fronteira sul, que é avaliada em US$ 40 bilhões por ano. Durante o governo de George W. Bush (2001-09), os EUA se comprometeram com um pacote de ajuda de três anos, no valor de US$ 1,4 bilhão, destinado a adquirir equipamentos para o combate às drogas para o México e a América Central.

 

Na terça-feira, a secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, divulgou um plano de US$ 700 milhões para combater o narcotráfico no México. A maior parte do dinheiro será investida ainda este ano no aumento do policiamento na fronteira para tentar conter a ação dos cartéis mexicanos, que já operam em cerca de 200 cidades americanas.

 

O presidente americano, Barack Obama, disse na terça à noite em entrevista coletiva que os EUA estão preparados para "fazer mais" se os agentes e os equipamentos adicionais que ele planeja enviar à fronteira com o México para conter a violência relacionada ao narcotráfico não forem efetivos. "Continuaremos a monitorar a situação e se as medidas adotadas não forem suficientes, então faremos mais."

 

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