Eurodeputado acusa Chávez de 'arrasar liberdade dos cidadãos'

Luis Herrero, deportado da Venezuela, afirma que não podia ficar calado e não se arrepende 'de nada' dito

Agências internacionais,

15 de fevereiro de 2009 | 09h35

O deputado europeu Luis Herrero afirmou neste domingo, 15, que tinha "plena capacidade para opinar" sobre o referendo que acontece na Venezuela, já que estava no país como observador internacional e convidado para acompanhar o pleito. O eurodeputado desembarcou em Madri e ratificou as críticas que fez ao governo venezuelano que motivaram sua expulsão. Herrero insistiu que o que viu e ouviu no país parece "absolutamente inapresentáveis" e que não se arrepende "absolutamente de nada" que tenha dito. Segundo ele, seria "uma falta de princípios manter uma distância formal com uma pessoa que está arrasando com as liberdade dos cidadãos", em referência ao presidente Hugo Chávez.   A Venezuela realiza neste domingo o referendo popular que vai decidir se o presidente Hugo Chávez tem o direito de se candidatar ilimitadamente à reeleição. Enquanto Chávez afirma que sua vitória é crucial para a transição do País ao socialismo, seus adversários dizem que o objetivo do chefe de Estado é apenas perpetuar-se no poder.   Veja também: Chávez joga suas fichas em referendo A dinastia Chávez  Conheça os programas sociais apoiados por Chávez Veja os possíveis cenários criados pelo referendo Processos eleitorais na Venezuela na presidência de Chávez   Herrero foi deportado na sexta-feira depois que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) o acusou de questionar a imparcialidade da instituição. O presidente venezuelano disse que lamentava que o eurodeputado tenha vindo "desrespeitar a Venezuela e suas instituições", ao se referir às supostas declarações de Herrero contra o processo eleitoral venezuelano.   Em declarações à imprensa durante sua chegada ao aeroporto de Bajaras, em Madri, Herrero se referiu dessa forma às declarações da secretária de Relações Internacionais do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Elena Valenciano, que no sábado disse que "observadores internacionais não podem intervir durante um processo eleitoral."   O eurodeputado explicou que o que ele passou é uma "anedota", mas os venezuelanos que estão lá "são os que estão sofrendo os desmando de alguém que não entende as regras de uma democracia e estão padecendo suas consequencias", por isso demonstra "solidariedade" a eles. Herrero acrescentou que deseja que os venezuelanos tenham a capacidade de se expressar e de viver em liberdade, "e tenham um regime democrático que lhes permita desenvolver a dignidade a os direitos humanos."   Quando indagado se sentiu-se apoiado pela embaixado espanhola, Herrero afirmou que "não tinha a menor idéia do que estava acontecendo no mundo exterior". Ele também comentou que, desde que falou com o eurodeputado Carlos Iturgaiz e com outros membros do Partido Popular (PP) em Caracas, "ninguém da embaixada foi ao encontro deles."   Herrero reiterou que foi tratado como um objeto, foi embarcado com "destino desconhecido" e o mantiveram incomunicável". Após desembarcar em São Paulo, continuou ele, a situação foi melhorando e ali pôde esperar "tranquilamente o consulado" no avião que o levou para Madri.

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