Europa não deve temer esquerda latino-americana, diz Chávez

Presidente venezuelano reforça discurso de Lula e pede que Europa 'não tenha medo e não seja manipulada'

Efe,

13 de maio de 2008 | 20h29

O chefe de Estado da Venezuela, Hugo Chávez, uniu-se nesta terça-feira, 13, ao apelo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez à Europa e disse que "não se deve ter medo da esquerda latino-americana". Ao discursar durante um ato de assinatura de acordos comerciais com o primeiro-ministro português, José Sócrates, Chávez indicou que Lula tinha feito nos últimos dias declarações nas quais disse que a "Europa não precisa ter medo da esquerda latino-americana." Veja também:Chávez acusa Uribe de querer provocar guerra Também citou o escritor José Saramago, que, há três anos, ressaltou que estava havendo na América Latina "uma mudança histórica evidente" e encorajava os europeus a ajudar e colaborar. "Somo a essas vozes", disse Chávez, antes de acrescentar: "Ajudemos uns aos outros. Europa, não tenha medo, não se deixe manipular." O presidente venezuelano, que também fez referência à visão do revolucionário Simón Bolívar sobre o papel que a Europa deveria ter tido há 200 anos a favor da independência para garantir os laços comerciais, denunciou "a tirania midiática no mundo que atropela a verdade" e "semeia joio." Chávez disse que a Europa deveria "apoiar sem reserva" o que Saramago "chama de mudança da história" e que ele qualificou de "grande mudança humanista, profunda, democrática" na América Latina e no Caribe. Além disso, o presidente venezuelano estimulou os europeus a impulsionar os laços comerciais com a Venezuela, após destacar a grande troca comercial entre este país e os Estados Unidos. Chávez concordou com o primeiro-ministro português na vontade de aumentar a troca econômica entre ambos os países. O chefe de Estado venezuelano fez essas declarações horas depois que o governo venezuelano divulgou um comunicado no qual considerou que recentes declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, sobre Chávez "alteravam" a relação bilateral entre ambos os países. Merkel disse em entrevista este fim de semana que um "só país não pode prejudicar de forma sustentada as relações entre UE e América Latina", referindo-se à Venezuela. No ato desta terça, o presidente venezuelano ressaltou na hora das assinaturas a "importância de uma boa diplomacia". "Às vezes, não somos nada diplomáticos, às vezes venho eu e coloco a perder o trabalho de (o chanceler) Nicolás (Maduro)", disse Chávez entre risos e antes de acrescentar que ele "regula tudo" e agradecer ao ministro venezuelano por seu trabalho.

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