Evo abre mão de 3.º mandato em troca de apoio ao referendo

Medida ainda não convence oposição, que bloqueia votação da consulta popular para nova Constituição

Reuters,

20 de outubro de 2008 | 15h46

O presidente boliviano, Evo Morales, renunciou nesta segunda-feira, 20, a uma eventual segunda reeleição em busca de um acordo com a oposição para aprovar um referendo sobre a mudança na Constituição do país. Mas tal renúncia, cujo rumor circulou durante várias horas até ser confirmado pelo ministro do Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, não pareceu ser suficiente para a oposição conservadora, que bloqueia a sessão do Congresso que deveria votar o referendo.  Veja também:Evo assume liderança de marcha pró-referendo na BolíviaFalta de acordo trava debate sobre referendo da Bolívia Entenda o que está em jogo no referendo "O presidente obteve mais de dois terços dos votos (em um referendo) no dia 10 de agosto e oferece generosamente essa legitimação nas urnas em troca da viabilização da aprovação e da implementação da nova Constituição", disse Romero.  "De maneira desprendida, o presidente concordou em cortar seu mandato para adiantar e implementar a nova institucionalidade sob a nova Constituição", acrescentou o ministro, em uma entrevista coletiva.  A nova Constituição estabelece a possibilidade de reeleição imediata apenas uma vez e a decisão anunciada por Romero implica que, se Evo for reeleito imediatamente depois da mudança constitucional, não poderia se reeleger cinco anos mais tarde.  Romero, principal negociador do governo, acrescentou que a principal força opositora, a aliança conservadora Podemos, demorou em responder à decisão do presidente e mantém sua exigência inicial: eles querem que Evo e o Congresso completem seu mandato em janeiro de 2011.  O ministro garantiu que o Congresso pode votar a convocatória ao referendo mesmo antes da chegada de uma marcha encabeçada por Evo, a favor da mudança na Constituição, ao Congresso.  "Já não há mais nada para discutir, estamos esperando que o Podemos dê sua palavra final", disse Romero, ao indicar que todas as discrepâncias sobre o novo texto constitucional foram resolvidas nas negociações feitas no mês passado, tendo ficado pendente apenas a questão do adiantamento das eleições.  A nova Constituição daria mais poder aos indígenas, proibirá futuros latifúndios e consolidará o controle estatal sobre a economia.

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