Evo assume liderança de marcha pró-referendo na Bolívia

Camponeses chegam no Congresso nesta segunda-feira; impasse entre governistas e opositores trava discussão

Reuters e Associated Press,

20 de outubro de 2008 | 11h16

O presidente da Bolívia, Evo Morales, assumiu nesta segunda-feira, 20, a liderança da marcha de milhares de camponeses e sindicalistas que se aproximam de La Paz para exigir um referendo para aprovar a nova Constituição. A manifestação se dirige ao Congresso, a fim de exigir a aprovação de uma lei que convoque o plebiscito, emperrada pelo impasse entre governistas e opositores.   Veja também: Falta de acordo trava debate sobre referendo da Bolívia Entenda o que está em jogo no referendo   "Não é possível que grupos minoritários chantageiem a aprovação de uma lei que permita consultar o povo boliviano sobre a nova Constituição, para que o povo boliviano diga sim ou não à nova Constituição", disse Evo, numa estrada do Altiplano, ao lado de dirigentes sindicais e de organizações sociais. Ele se referia à obstrução parlamentar promovida pela oposição de direita para impedir a convocação do referendo para aprovar uma Constituição, promovida pelo presidente, que dá mais poderes à maioria indígena, amplia a participação estatal na economia e institui uma reforma agrária.   Evo também esteve presente no início da marcha, há uma semana. O último trecho teve início às 6h de segunda-feira (8h em Brasília) em Ventilla, nos arredores da combativa cidade aimará de El Alto, a cerca de 22 quilômetros do centro de La Paz. "Eu me somo primeiro como afiliado da COB (Central Operária Boliviana), segundo como afiliado da Conamaq (entidade indígena), do meu ayllu (clã) Sullca, de Orinoca, terceiro como afiliado à (confederação camponesa) CSUTCB, e quarto como afiliado aos colonos", disse.   A passeata vai se avolumando conforme avança, e a previsão é de que cerca de 100 mil pessoas cheguem por volta de 12h ao Congresso, onde se encontrará com três outras marchas oriundas de outros pontos do país, segundo um dos organizadores, Fidel Surco.   O referendo deve ser convocado por dois terços dos votos no Legislativo. Porém nem os opositores nem a situação conta com essa margem. Uma comissão com representantes de todas as forças políticas no Congresso mantém reuniões para discutir os temas de dissenso. Porém não houve acordo sobre a reeleição presidencial.   Na noite de sábado, o ministro de Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, afirmou que havia "um entrave nas negociações". O senador Roger Pinto, do oposicionista Partido Podemos, afirmou que a oposição não concordava com a proposta de encurtar o mandato de Morales e convocar eleições antecipadas.

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