Evo descarta repressão armada em meio à violência na Bolívia

Presidente diz que proibirá Exército de usar armas contra a população para conter onda de protestos no país

Agências internacionais,

12 de setembro de 2008 | 15h33

O presidente da Bolívia, Evo Morales, descartou uma repressão armada sobre os violentos confrontos na ruas - com mortos - entre grupos favoráveis ao seu governo e oposicionistas. O presidente também convocou negociações com os líderes da oposição para as 17h (de Brasília) no palácio presidencial em La Paz. Pelo menos oito pessoas morreram na quinta-feira, no terceiro dia de confrontos violentos em partes do país. Os moradores já estão sentido os efeitos da crise, e filas intermináveis estão se formando em frente às distribuidoras de gás, onde chega-se a pagar B$ 2.500 por um botijão de gás e tem que aguardar horas na fila, sem saber e haverá gás para todos.   Representantes do governo boliviano reúnem-se nesta sexta com um dos principais líderes da oposição, o prefeito (governador) do Departamento (Estado) de Tarija, Mario Cossío. É de Tarija que parte a maior parte do gás enviado ao Brasil e à Argentina - fornecimento que foi afetado nesta semana por violentos protestos.   Veja também: EUA expulsam embaixador venezuelano de Washington Missão diplomática brasileira para Bolívia segue indefinida Manifestantes bloqueiam fronteira com o Brasil em MS   Chávez expulsa embaixador dos EUA da Venezuela Entenda os protestos da oposição na Bolívia Enviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia  Imagens das manifestações     Nesta sexta-feira, Evo disse aos jornalistas na região central da Bolívia que ele é o "primeiro a proibir o Exército e a polícia de usarem armas de fogo contra a população". O governo "vai continuar favorável ao diálogo, pela dignidade e unidade do país, apesar das provocações" dos líderes da oposição, disse Evo. O presidente também acusou a oposição de procurar "dividir a Bolívia".   Manifestantes voltaram a interromper o trânsito na fronteira entre o Departamento de Santa Cruz e Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Eles repetiram a tática de colocar montes de areia na estrada. E só se passa de um lado para o outro a pé. Ao mesmo tempo, as aulas continuam suspensas - pelo menos até segunda-feira - em Santa Cruz de la Sierra, capital de Santa Cruz. A medida foi tomada porque teme-se a ocupação das escolas. Nesta cidade, diferentes prédios públicos do governo central - como o de arrecadação de impostos - estão sendo controlados pela administração local.   Em meio a crise, foi noticiado pela imprensa local que funcionários da Administração de Repressão às Drogas dos EUA abandonaram a região produtora de coca na Bolívia. "Eles partiram quinta-feira. Cerca de 60 pessoas foram chamadas para a cidade (central) de Cochabamba", disse o coronel Pastor Orellana, comandante de polícia de Chapare, citado pelo jornal La Razón.   Interferência venezuelana   As Forças Armadas bolivianas disseram que não permitirão intervenções militares estrangeiras na profunda crise política que despertou protestos. Foi rejeitada também a oferta de ajuda feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "Ao presidente da Venezuela, sr. Hugo Chávez, e à comunidade internacional, dizemos que as Forças Armadas (da Bolívia) rejeitam enfaticamente qualquer intervenção estrangeira, de qualquer tipo", disse o comandante em chefe das Forças Armadas, Luis Trigo, em um discurso televisionado.   Chávez disse anteriormente que apoiaria movimentos armados caso o presidente boliviano, Evo Morales, fosse derrubado e que utilizaria quaisquer meios para colocá-lo de volta no poder. "Não vamos permitir nenhum soldado ou força estrangeira em nosso território", acrescentou.

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