Evo diz que lei sobre imigrantes da UE pode frear negociações

Medida dota os 27 países do bloco de um marco comum para tramitar a expulsão dos 'imigrantes ilegais'

EFE

29 de junho de 2008 | 13h10

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que a aplicação da regra de retorno para imigrantes irregulares "pode frear" as negociações para um acordo entre a União Européia (UE) e a Comunidade Andina (CAN).   "Que sentido tem (o acordo) quando eles estão falando de expulsar nossos irmãos e irmãs. A Bolívia nunca pensou em expulsar", disse Morales, em entrevista publicada hoje pelo jornal argentino "Clarín". O presidente ressaltou que se a Europa "quer seguir propagando a luta pelos Direitos Humanos deve revisar esta norma de retorno", aprovada em 18 de junho pelo Parlamento Europeu.   "Eu disse muitas vezes que a Europa é um aliado estratégico na defesa dos direitos Humanos, mas com este tipo de diretrizes perco as esperanças. É uma agressão à vida e à humanidade. É importante lutar contra este tipo de regras", ressaltou o chefe de Estado.   A medida, que entrará em vigor em 2010, dota os 27 países do bloco de um marco comum para tramitar a expulsão dos "imigrantes ilegais".   Os embaixadores da UE em La Paz afirmaram dias atrás que nas negociações para a assinatura de um acordo de associação entre UE e CAN é possível discutir e conseguir "disposições mais favoráveis" que as fixadas pela regra.   "Parece que só há globalização para o comércio, olhando o mercado e o dinheiro, e não o ser humano", criticou Morales.   Por outra parte, o presidente confiou em chegar a um acordo com a Argentina para revisar os volumes de exportação de gás, ao afirmar que entre presidentes existe "a obrigação" de se complementar e "concordar para atender às exigências dos povos".

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