Evo diz que não negociará nova Constituição com opositores

Para presidente boliviano, com a aprovação em referendo o 'único pacto' possível será na aplicação do texto

Associated Press,

27 de janeiro de 2009 | 15h23

O presidente boliviano Evo Morales insistiu nesta terça-feira, 27, que não negociará com os opositores autonomistas a revisão da Constituição votada em referendo, ressaltando que o único "pacto" possível será para a "aplicação" do novo texto. O chefe de Estado convocou seus ministros e altos funcionários para analisarem uma "gestão plurinacional" de acordo com a Carta Magna, embora o resultado oficial do referendo ainda não tenha sido divulgado.   Veja também: Vitória apertada complica governabilidade Entenda os pontos polêmicos da nova Constituição da Bolívia   "Os opositores pedem pacto", afirmou Evo ao iniciar a reunião. "A aprovação (no referendo) já é um pacto, e se querem outro será para aplicar a nova Constituição. Não haverá acordo para revisá-la. A vontade soberana do povo se respeita", destacou o presidente boliviano.   De acordo com a Corte Nacional Eleitoral (CNE), até agora foram contabilizados 70% dos votos. O "sim" aparece com 59,6%, enquanto o "não" está em 40,3%. Recontagens extraoficiais antecipam que o texto teve maior aprovação nacional e ganhou em quatro regiões onde Evo é forte (La Paz, Cochabamba, Oruro e Potosí), mas perdeu em departamentos (Estados) governados pela oposição (Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando).   A rejeição dos opositores se baseia no argumento de que a Constituição outorga a suas regiões menos abertura para seus estatutos de autonomia aprovados em consultas realizadas no ano passado, que o governo Evo considerou ilegais.   Os bolivianos votaram no domingo em um documento de 411 artigos que outorga ao Estado o controle total da economia e abre as instâncias do poder à maioria indígena. A oposição alega também que a Carta Magna concede privilégios a grupos étnicos em detrimento dos mestiços e que não contém uma descentralização verdadeira.   A oposição antecipou que pode articular um bloqueio contra Evo, que depois de três anos no governo se mostra muito sólido após três provas eleitorais - chegou à presidência em 2005 com 54% dos votos, passou por um referendo revogatório com 67% de aprovação e segue aprovando seu projeto constitucional.

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