Evo diz que referendo mostra que Chávez não é ditador

Na Rússia, presidente boliviano parabeniza venezuelano por referendo democrático de reeleição ilimitada

Agências internacionais,

16 de fevereiro de 2009 | 12h19

O presidente boliviano, Evo Morales, disse nesta segunda-feira, 16, que o resultado do referendo realizado na Venezuela contraria aqueles que acusam seu amigo e aliado Hugo Chávez de ser um ditador. "(Quero) cumprimentar daqui da Rússia o grande triunfo do companheiro, irmão, presidente de Venezuela, com o referendo tão democrático", disse o presidente da Bolívia sobre a votação que deu a Chávez o direito de buscar a reeleição indefinidamente.  "Às vezes somos acusados pelo 'império' de ditadores. Não há nenhuma ditadura na América Latina, mas processos de transformações profundas com a participação de 'povos'", afirmou. Evo referia-se a atos como o do início de fevereiro, quando Hugo Chávez, decretou feriado nacional em função de seu décimo aniversário na Presidência da Venezuela e mandou a polícia fechar à força lojas cujos comerciantes tentavam abrir as portas para trabalhar. O próprio Evo venceu, no final de janeiro, outro referendo, aprovando uma nova Constituição que nacionaliza recursos e o permite ficar na Presidência até 2015, mas que foi rejeitada em diversos departamentos (estados) onde a oposição a seu governo é forte.   Além da afinidade ideológica, os governos de Bolívia e Venezuela têm projetos binacionais em áreas como a petrolífera. Em novembro de 2007, Venezuela doou US$ 6,3 milhões às Forças Armadas da Bolívia. Por sua vez, a Rússia, que Evo visita atualmente, já vendeu US$ 3 bilhões em armas à Venezuela, em 2006, e no ano passado, emprestou mais US$ 1 bilhão para o Governo venezuelano comprar armas russas.   Parceria russa   Evo Morales concordou em aumentar a cooperação em defesa e energia com a Rússia, na mais recente ação de Moscou para impulsionar sua crescente influência na América Latina. Ao assinar o acordo de cooperação de defesa, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse a Evo que espera que a Rússia entregue rapidamente uma série de helicópteros militares para a nação andina.   Um memorando de cooperação de energia também foi assinado e Medvedev prometeu que a Rússia desenvolverá uma rede de gasoduto na Bolívia, que tem a segunda maior reserva de gás natural da América Latina. O presidente boliviano tem procurado ajuda para explorar as reservas de gás da Bolívia e o jornal russo Kommersant divulgou que a OAO Gazprom poderá investir US$ 3 bilhões para explorar os campos de gás bolivianos. "A Rússia irá contribuir para a construção de gasodutos e para a exploração do gás na Bolívia. Esse é um projeto estratégico e será trabalhado até 2030", afirmou Medvedev em entrevista coletiva conjunta com o presidente boliviano.   Sobre defesa, Medvedev explicou que a entrega dos helicópteros será apenas o primeiro produto em uma cooperação militar de longo prazo. "A lista de produtos será ampliada no longo prazo", disse ele. A cooperação com a Bolívia e outros países latino-americanos é uma "escolha crescente feita pela Rússia e não tem a intenção de competir com ninguém", afirmou Medvedev, em aparente referência aos EUA. "Queremos criar um sistema internacional mais justo", completou.   Evo, o primeiro líder da Bolívia a visitar a Rússia, saudou "o retorno da Rússia à América Latina" e demonstrou apreço pelo papel russo de "estabelecer um mundo multipolar". "Precisamos trabalhar juntos para salvar a humanidade", completou.

Tudo o que sabemos sobre:
BolíviaRússiaVenezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.